"Desculpem ser chato, mas o senhor do quadro é Auguste Rodin"

Um designer gráfico e o Twitter deram a identidade correta a um retrato de Rodin, erradamente catalogado num museu de Madrid como sendo do rei Leopoldo II.

Luis Pastor sentiu-se "um pouco como o Sherlock Holmes". O caso em questão foi elementar para o designer gráfico espanhol, de 39 anos, a viver no Luxemburgo. De visita ao Museu Lázaro Galdiano, em Madrid, Pastor olhou para um retrato e para o respetivo letreiro e não quis acreditar no que via. Reconhecia o homem de longas barbas e olhos claros pintado de perfil na miniatura de 12,7 cm por 98 milímetros - e não era o rei da Bélgica Leopoldo II, como estava identificado.

"Pensei que me tinha enganado, tive de ler três vezes o letreiro", disse ao ABC. Apesar do tamanho da obra de arte, Pastor reconheceu de imediato quem era o modelo: o escultor Auguste Rodin. "Adoro Rodin e fui muitas vezes ao Museu Rodin em Paris. "Era obcecado por ele quando era estudante. Eu comecei a pesquisar fotos de Leopoldo no Google e pensei "eles são realmente parecidos, mas não é Leopoldo", disse ao Guardian.

A obsessão de Luis Pastor passou a ser outra e depois de ter aprofundado as suas pesquisas e conversas com historiadores de arte e restauradores, anunciou ao Museu a sua descoberta, no Twitter. "Desculpem ser chato, mas acho que é Auguste Rodin quem está na miniatura 1 que está na sala de miniaturas. Não só é muito semelhante como partilha a mesma cor do olhos."

Noutra mensagem, demonstra que Leopoldo II tem olhos mais escuros e "nas poucas fotos" que encontrou com cor são em tom mais mel.

A resposta dos responsáveis do Museu Lázaro Galdiano chegou dois dias depois. "Já temos um 'veredito' definitivo: após numerosas análises comparativas com retratos de ambas as personagens, a miniatura, com o número de inventário 3711, passa a ser o retrato do escultor Auguste Rodin. Muito obrigado a Luis Pastor pela descoberta!", responderam, também no Twitter.

Foi a conservadora Carmen Espinosa quem identificou o retratado como Leopoldo II. Ao ABC agradece o alerta de Luis Pastor e, apesar de dizer que "claramente tinha razão", desvalorizou o engano. "Também não me enganei assim tanto porque agora, quando revejo as imagens dos dois, descobri que são muito parecidas. Geneticamente devem ter tido algo em comum", disse a responsável pela conservação do museu madrileno.

O ADN de Rodin e de Leopoldo será matéria para outra investigação, mas o que as biografias de um e de outro nos dizem é que um foi um artista e criador de exceção e o outro ficou para a história como o responsável por um genocídio no Congo.

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