Com negócios em Portugal, homem mais rico de Hong Kong abre museu budista milionário

Li Ka-shing vive num mosteiro no meio das montanhas e agora vai mostrar ao público a sua valiosa coleção.

Uma enorme estátua em bronze de Guanyn, a deusa budista da misericórdia, eleva-se sobre as montanhas verdejantes de Tai Po, em Hong Kong. Com 76 metros de altura, a deusa parece tomar conta do mosteiro de Tsz Shan, um espaço de 500 mil metros quadrados mandado por construir por Li Ka-shing para ali instalar um museu de arte budista. O mosteiro foi inaugurado em 2015, o museu irá abrir ao público no próximo 1 de maio.

A construção do museu (que ocupa mais de 2200 metros quadros) durou três anos e custou mais de 303 milhões de euros. Um valor considerável até para o homem mais rico de Hong Kong, que tem uma fortuna estimada pela Forbes de 26,6 mil milhões de euros e tem investimentos em Portugal onde, em 2015, comprou a companhia eólica Iberwind por mil milhões de euros.

O milionário Li Ka-shing há muito que se dedica à filantropia, tendo contribuído para universidades e hospitais na Ásia e na América do Norte. Também deu o seu contributo nas operações de resgate após o tsunami no Oceano Índico, em 2004, e o terramoto de Sichuan em 2008. Agora, aos 90 anos, decidiu revelar o seu interesse pela cultura budista.

Cerca de duas mil pessoas foram convidadas a visitar o museu na festa de inauguração, na última semana de março, e já puderam apreciar a "coleção de valor incalculável" que tem 100 estátuas budistas, várias pinturas e esculturas e 43 sutras (escrituras) que "representam os ideais iluminados e o âmbito cultural do Budismo Zen", como explica em comunicado a Li Ka-shing Foundation, criada em 1980. A maioria das peças veio da coleção particular de Li Ka-shing. A coleção permanente procura "contar a história do budismo e como tem sobrevivido ao longo da história". Uma das peças mais antigas é um elegante Buda Sakyamuni em pé com um nariz alto e lábios carnudos, que remonta ao século II ou III e é do reino de Gandhara da antiga Índia, o berço do budismo.

Além disso, o espaço do Mosteiro servirá como lugar de reflexão e meditação. O próprio Li Ka-shing vive ali, em retiro. "O senhor Li apenas aparece para participar nos rituais e programas budistas", explicou um porta-voz. Na inauguração, o milionário que se retirou há um ano e entregou a gestão do seu império ao filho mais velho, Victor Li Tzar-kuoi, de 54 anos, evitou falar sobre o facto de o mosteiro ser o seu "nirvana particular". Mas falou do modo como o budismo foi importante na sua vida: "Para mim, os princípios fundamentais do budismo foram importantes de muitas maneiras e guiaram-se em em inúmeras apreensões, medos e vicissitudes", disse no seu discurso. Explicou que a ideia do mosteiro nasceu em 2003 da sua vontade de promover o budismo. Aberto desde 2015, até ao final do ano passado o mosteiro já tinha recebido mais de um milhão de visitantes.

"Não há nenhum algoritmo que nos ajude a lidar com as questões profundas e práticas que são centrais na nossa vida", disse Li Ka-shing. "Quem sou eu? O que devo fazer com a minha vida? Como criar um Bom Futuro? E a pergunta mais importante: em que direção devemos avançar para prosperarmos juntos? Espero que este mosteiro possa ser um espaço para essa contemplação e reflexão tranquilas."

A entrada para o museu é grátis mas os visitantes têm de se inscrever previamente.

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG