Cof, cof, cof. A história dos rebuçados para a tosse Dr. Bayard contada aos mais pequenos

Livro ilustrado assinala os 70 anos da fábrica dos conhecidos rebuçados peitorais portugueses.

Era uma vez um rapaz chamado Álvaro - Álvaro Justino Matias, nascido em 1914, em Vale de Mula, uma aldeia do concelho de Almeida. "Aos dezasseis anos, pôs a mochila às costas e fez-se à estrada. Desceu o país de comboio até Lisboa, onde começou a trabalhar." Na mercearia onde ele arranjou emprego, na zona de São Bento, "costumavam fazer compras os empregados do ditador que então governava Portugal." Mas não só: "também passava por lá o dr. Bayard, um médico francês que tinha fugido com a família do seu país durante a Segunda Guerra Mundial".

É mais ou menos assim que começa a história contada no novo livro de Inês Fonseca Santos (texto) e Marta Monteiro (ilustrações), editado pela Pato Lógico e que estará nas livrarias a partir desta terça-feira com o título Um Milhão de Rebuçados.

O narrador é um rapaz de Lisboa, que anda de bicicleta e que gosta de comer rebuçados. Aqueles rebuçados doces que nos acalmam a tosse e nos deixam dormir descansados, sabem quais são?, os "Dr. Bayard". Pois o rapaz quis saber a história daqueles rebuçados e de quem os teria inventado assim tão saborosos, e pelo caminho ficou a saber também coisas sobra a história do nosso país e da Europa, sobre os segredos de quem combina ingredientes secretos e sobre como uma receita trazida por um médico francês se transformou numa fábrica onde, ainda hoje, se continuam a produzir quase um milhão de rebuçados todos os dias.

A história dos rebuçados Dr. Bayard é, antes demais, a história da amizade entre um jovem português e um refugiado da guerra. Quando o Dr. Bayard pôde regressar a França deixou a Álvaro Justino Matias "a receita secreta de uns rebuçados medicinais, capazes de curar todas as tosses, uma receita muito bem guardada dentro de uma lata de metal onde estava gravada a imagem de um senhor a tossir". Só que a receita só tinha os ingredientes, não tinha as quantidades. Foi preciso passar muitas horas na cozinha, com a mulher e a irmã, a experimentar várias combinações, para finalmente, por tentativa e erro, chegar aos rebuçados que agora conhecemos. Depois foi também acertar o tamanho certo para o rebuçado, a sua forma, a melhor maneira de embrulhá-lo. E, finalmente, começou a vendê-los.

Isto aconteceu em 1949. A edição deste livro assinala, portanto, os 70 anos dos rebuçados Dr. Bayard.

Segundo uma reportagem publicada no DN em 2018, a fábrica de rebuçados Dr. Bayard gasta, todos os anos, 125 toneladas de glicose, 40 toneladas de mel e 600 toneladas de açúcar - sem esquecer o misterioso xarope de plantas medicinais, com especiarias, limão e canela.

O livro chega às lojas no dia 15, terça-feira, mas já pode ser encomendado no site da fábrica dr. Bayard.

O lançamento do livro Um Milhão de Rebuçados acontece no dia 27 de outubro, às 16.00, na 30.ª edição do Festival Amadora BD.

No dia 3 de Novembro, às 16.00, é apresentado na Vida Portuguesa do Intendente, em Lisboa.

Um Milhão de Rebuçados
De Inês Fonseca Santos e Marta Monteiro
Preço: 14,50 euros

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