Côa rendeu-se a Paulo Branco e ao seu O Caderno Negro

O produtor português foi o grande homenageado do 7º Cinecôa, um dos mais belos tesouros do circuito festivaleiro português

Depois de um hiato de um ano, o Cinecôa regressou para a sétima edição. Um festival que promove um encontro de artes único numa das mais belas zonas de Portugal. Um tesouro no Douro que este ano terminou domingo com uma soirée com o maestro António Victorino de Almeida, autor de um concerto/conversa que atravessou a sua experiência no cinema como cineasta e compositor de bandas-sonoras.

O grande auditório de Vila Nova de Foz Côa teve uma casa quase cheia num serão onde o maestro encantou com o seu charme e carisma, contando histórias de uma atividade que, em termos de cinema português, arrancou com O Cerco, de António da Cunha Telles, estreado em 1970. O piano do maestro foi emissor de partituras que fazem dele um dos grandes nomes das bandas-sonoras do cinema português, alguém que foi fundamental para a divulgação da música clássica em Portugal, nomeadamente através de centenas de programas televisivos para a RTP e, posteriormente, SIC.

Neste edição que encantou Côa, o festival, gerido artisticamente pelo produtor António Costa Valente, começou com uma homenagem a Paulo Branco, o mais internacional dos produtores portugueses, que se deslocou à vila das gravuras rupestres para também conhecer uma exposição fotográfica que captou momentos da sua carreira ao lado de David Cronenberg, Louis Garrel, Manoel de Oliveira e tantos outros. Branco ofereceu a este festival a antestreia nacional de O Caderno Negro, de Valeria Sarmiento, a prequela de Os Mistérios de Lisboa.

O Caderno Negro abriu quinta-feira o certame e assume-se como um dos bons filmes desta temporada. Esta adaptação a Camilo Castelo Branco estreia-se já no dia 11 de outubro e teve estreia europeia no Festival San Sebastián, onde foi muito muito aplaudido. Sarmiento, cineasta de As Linhas de Wellington, conseguiu fazer um filme contracorrente onde legitima uma ideia de folhetim clássico com uma exuberante fluidez narrativa.

Também em antestreia, Uma Vida Sublime, de Luís Diogo, mostrou um outro modelo de cinema português. Um cinema de baixo orçamento e sem apoios do Estado. O novo filme de Diogo conta-nos em forma de thriller a história de uma espécie de psicopata português que tortura pessoas infelizes para tentar que mais tarde encontrem um sentido de felicidade para as suas vidas. É um filme com muitas falhas mas com um gesto de "storytelling" eficaz e um ritmo satisfatório. Em Portugal chega aos cinemas em janeiro mas na Rússia estreia-se já em outubro em mais de 50 salas.

Rita Ferro Rodrigues e Anabela Mota Ribeiro foram também convidadas do festival na cerimónia de atribuição de prémios de vídeos dos Youtubers num passatempo do programa Ponhadouronomapa.pt. O lema #somosodouro foi neste fim-de-semana muito levado a sério em Côa e os premiados ganharam viagem a Paris para conhecer os estúdios do Youtube, em Paris.

Em 2019, por alturas de novembro, o Cinecôa regressará, prometeu o Presidente da Câmara, Gustavo de Sousa Duarte: "este ano foi uma bela promoção para o concelho e para o cinema, mas este é um festival que está a crescer! O Cinecôa é uma aposta ganha e vai continuar. Vai continuar com uma maior projeção e pujança. Continuaremos a trazer à região pessoas que são referência do cinema nacional e internacional para promover os patrimónios que aqui temos...Repito, é uma aposta para ganhar!".

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