Obras do Cinema Batalha atingiram 5,17 milhões de euros

As obras de reabilitação e restauro do Cinema Batalha arrancaram a 18 de novembro de 2019, vão terminar no dia 31 de outubro.

As obras do Cinema Batalha, no Porto, atingiram 5,17 milhões de euros, ultrapassando o custo inicial previsto (3,9ME) em mais de um milhão, por causa de patologias no betão, da pandemia e da recuperação dos frescos de Júlio Pomar.

O presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, explicou esta quarta-feira que houve um aumento no custo da empreitada do Cinema Batalha - de 3,9 milhões de euros (ME) iniciais para de 5,17ME, no final -, porque a obra começou poucos meses antes da pandemia da covid-19 e por causa do restauro do painel de frescos do artista plástico Júlio Pomar alusivo à festa do São João, que esteve "75 anos oculto" ao público e "debaixo de tinta", por causa da ditadura do Estado Novo, sendo descobertos em junho transato.

"Quando se começou a mexer no edifício, as patologias no betão eram muito maiores do que eram anteriormente estimadas, o que acontece em edifícios desta natureza. Depois, porque esta obra se inicia mesmo antes da pandemia e sabemos o que sucedeu entretanto. Houve um fortíssimo aumento no custo da matéria-prima. [...] Depois houve o restauro do painel do Júlio Pomar, e também isso representa um custo significativo", explicou Rui Moreira, à margem da conferência de imprensa para apresentação da programação do Cinema Batalha, que reabre a 09 de dezembro próximo.

Outro aspeto que veio encarecer a obra e foi a construção na cobertura do cinema de uma estrutura administrativa.

"Este cinema não tinha escritórios, e nós fizemos cá dentro, com a autorização da DGPC [Direção-Geral do Património Cultural], e isso também justifica uma parte do aumento", referiu o autarca.

As obras de reabilitação e restauro do Cinema Batalha arrancaram a 18 de novembro de 2019, vão terminar no dia 31 de outubro, e correspondem a um custo final de 5,17ME.

A Câmara do Porto celebrou a 21 de setembro de 2017 um contrato de 25 anos com os proprietários do edifício para a sua exploração, e pagam uma mensalidade de 10 mil euros desde setembro de 2017.

O Cinema Batalha que reabre no dia 09 de dezembro e esteve inativo e devoluto desde 2010

Cinema Batalha reabre a 9 de dezembro

O Cinema Batalha, no Porto, reabre no dia 9 de dezembro com o ciclo temático "Políticas do Sci-Fi", dedicado à ficção científica, após obras de reabilitação de 5,17 milhões de euros.

O Cinema Batalha, que esteve inativo e devoluto desde 2010, reabre com temas "fraturantes" como o "cataclismo nuclear", as "diásporas" ou a "ecologia", revelou esta quarta-feira o diretor do espaço, Guilherme Blanc, em conferência de imprensa, que decorreu hoje na instituição cultural agora denominada Batalha Centro de Cinema.

"Combinando filmes contemporâneos com cinema clássico coloca-se no centro do programa a ideia de que o próprio tempo poderá ser uma mera ficção, na construção das sociedades", lê-se no caderno inaugural do Batalha Centro Cinema Batalha.

Em março, maio e junho estão programados outros três ciclos temáticos: "Domesticidade(s)", "El Futuro Ya No Está Aqui" e "Contra-Fluxos", respetivamente.

O segundo programa temático do Batalha, "Domesticidade(s)" aborda o "espaço doméstico no contexto das diferentes vivências", focando-se nas "ruturas e possibilidades afetivas, enquanto motores económicos da sociedade" e tem a curadoria de Alejandra Rosenberg Navarro e Ana David.

Já o terceiro programa temático oferece aos espectadores uma perspetiva sobre o processo de libertação de Espanha e da sua transição para a democracia, propondo filmes sobre a movida madrilena, liberdade sexual, transgressão, drogas, moda, música ou sobre a primeira realizadora feminista do país, Josefina Molina, e as novas expressões de cinema 'queer' e trans, anteriormente proibidas pelo franquismo. Este programa tem a curadoria de Guilherme Blanc e Virginia Pablos.

"Contra-Fluxos" sobre a água, migrações e clima é quarto ciclo programático e tem a curadoria de Almudena Escobar Lopez e Margarida Mendes.

Entre dezembro e julho de 2023 vai acontecer o "Focus e Retrospetivas", que são ciclos dedicados à filmografia de cineastas e artistas nacionais e internacionais com trabalhos contemporâneos e antigos.

O ciclo arranca com uma retrospetiva que atravessa mais de cinco décadas dos filmes da realizadora Claire Denis, que estreou duas novas longas-metragens em Berlim e Cannes.

"Focus e Retrospetiva" é um "eixo fundamental da programação que espelha a visão de diversidade formal, temática, geracional e geográfica inerente ao Batalha", pode ler-se no Caderno Inaugural.

O Cinema Batalha não vai fazer estreias comerciais, uma característica que vai diferenciar aquela instituição cultural relativamente a outros operadores da cidade do Porto, lembrou Guilherme Blanc, referindo que o Batalha pode ser "um motor importante para amplificar os públicos no cinema".

As bilheteiras vão abrir no dia 17 de novembro e a média de sessões por semana vão ser sete filmes, sendo que no caso de serem filmes portugueses vai haver o "esforço" de os legendar a todos em inglês a pensar nos turistas e na "acessibilidade", explicou o diretor artístico, à margem da conferência de imprensa.

"Luas Novas", para mostrar filmes de novos nomes do cinema nacional, "Coletivos", "Cinema com História", "Cinema ao Redor" com cursos de crítica de cinema ou oficinas de realização para a infância, "Festivais e Mostras" onde são apresentados, por exemplo, o Fantasporto, ou "Música e Performance" para explorar a ligação do cinema à música, são outros momentos da programação do Batalha até julho de 2023.

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