Amadora BD 2022: a paridade na banda desenha

A Amadora BD volta para a 33ª edição com uma nova área de gaming e com 13 exposições espalhadas pela Galeria Artur Boal, a Biblioteca Municipal Fernando Piteira Santos e o Ski Skate Park.

Amadora BD volta este ano de 20 a 30 de outubro com 13 exposições de autores nacionais e internacionais espalhadas pela Galeria Artur Boal, a Biblioteca Municipal Fernando Piteira Santos e o Ski Skate Park, na Amadora.

A 33ª edição do festival faz parte da temporada cruzada Portugal-França em parceria com o festival de banda desenhada de Lyon. A temática para as duas exposições deste ano é a paridade, a igualdade de género e a mulher. A ideia surgiu de uma discussão entre os dois diretores do festival de Lyon e Amadora.

"Existem trabalhos dentro da banda desenhada feitos por mulheres que é invisível. Por exemplo, as coloristas geralmente são as mulheres dos autores e não aparecem na ficha técnica. Percebemos que tínhamos uma oportunidade para falar da paridade dentro da banda desenhada e da igualdade de género", explicou Catarina Valente, diretora do festival Amadora BD, numa conversa com DN.

O trabalho 4 Quartos (e são nossos!) que vai estar exposto durante o festival volta-se para a temática da temporada, pela visibilidade feminina e direitos das mulheres, baseado na obra de Virginia Woolf Um quarto que seja seu. O projeto junta as ilustrações de quatro artistas: duas portuguesas (Joana Mosi e Patrícia Guimarães) e duas francesas (Elléa Bird e Blanche Sabbah).

Joana Mosi e Patrícia Guimarães já tinham anteriormente trabalhado juntas e participado noutras edições do Amadora BD. As duas artistas abordaram a temática de forma diferente.

Patrícia Guimarães pegou no livro de Maria Lamas da Mulheres do Meu País, uma ponta para o começo das suas ilustrações. "Há um momento no livro em que ela diz que olha à volta dela, para as mulheres que tinha à volta e achei que aquilo era o ponto de partida. Queria tentar representar as mulheres que estão à nossa volta que muitas vezes não têm espaço público e mediático para falar dos seus problemas", explicou a ilustradora.

Já Joana Mosi focou-se numa experiência mais pessoal para o seu trabalho, refletindo sobre o que é ser uma mulher em 2022 em Portugal. "Comparei aquilo que era a minha experiência à mulher que conheço de outras gerações, neste caso a minha mãe e a minha avó. Começou com a minha avó que viveu numa coisa que eu não vivi que é a ditadura, sendo filha de um polícia",afirmou.

Os Portugueses, de Olivier Afonso & Chico, também fará parte da exposição com a temática da imigração portuguesa para França durante os anos 70. Conta a história de Mário que fugia da ditadura em Portugal numa mala de um carro velho e conhece Nel, jovem compatriota com quem vai descobrir a vida aventureira dos emigrantes num bairro de lata nos arredores de Paris.

Outro tema da exposição são os 60 anos do Homem-Aranha, que destaca os autores que trabalharam a personagem. Vai ter presente também um dos mais prestigiados ilustradores da Marvel, Bob McLeod.

A área de gaming é a grande novidade do festival que veio para ficar. Na procura de novos públicos e como forma de inovar o festival, Amadora BD criou este espaço em parceria com a Magicshot, empresa de videojogos. "Faz-nos sentido também aproximarmo-nos destas novas gerações através de uma área que fascina as novas gerações e nos aproxima delas também. Muitos ilustradores dos jogos são os mesmos", declarou a diretora do festival.

mariana.goncalves@dn.pt

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