Exclusivo A Marvel das lendas, dragões e artes marciais

Há vida para lá de Vingadores: Endgame? A estreia de Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis, de Destin Daniel Cretton, tenta dar um novo fôlego ao universo Marvel. É o primeiro filme dos estúdios com um elenco predominantemente asiático.

E que tal começar um novo capítulo de uma saga de super-heróis com o rosto de Tony Leung? Eis uma escolha acertada. Há já algum tempo que não víamos o ator dos filmes de Wong Kar-Wai na grande tela. A última vez foi mesmo num desses filmes, O Grande Mestre (2013), incursão do cineasta de Hong Kong na biografia de Ip Man, o venerado mestre chinês que treinou Bruce Lee. Leung, no papel principal, trocava então a suavidade do amante platónico de In the Mood for Love pela precisão coreográfica das artes marciais, tocando-se ainda as notas de uma história de amor através do kung fu. É numa disposição semelhante que o vamos encontrar agora em Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis, enquanto pai do protagonista e detentor dos dez anéis do título. Com um pormenor importante: ele é o vilão da história.

Dito assim, parece que colocámos Leung numa categoria; não será por aí. Apesar da pose de líder imortal de uma organização que destrói exércitos, influenciando o rumo de acontecimentos um pouco por toda a parte, é no romance dele com a mãe de Shang-Chi - cujo despertar da paixão se ilustra numa bela cena de artes marciais - que reside a verdade trágica da personagem. Acontece que Wenwu (assim se chama) carrega uma tristeza incurável desde a morte da mulher. E o seu lado negro assenta nessa dor da ausência, com uma especificidade oriental que afasta comparações teóricas com Darth Vader... Qualquer outro ator teria assumido o perfil vilanesco pela lógica da caricatura, mas Leung segura o carisma e nunca se desmancha (consta que o ator chinês estava a zeros sobre a personagem quando foi contactado pela Marvel, e optou por assim se manter, gozando de autoridade total para explorar os motivos deste homem à sua maneira).

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