Exclusivo A história atribulada dum santo e do homem que o pintou 

Constituída em 2018, a Fundação Gaudium Magnum começou, no final do ano passado, a mostrar as suas obras-primas no Museu Nacional de Arte Antiga. Até 10 de Abril, todas as atenções se concentram num quadro seiscentista de Luigi Miradori.

Durante séculos os estudiosos viram nele o jogo cenográfico de Velásquez. Outros ainda julgaram reconhecer o claro-escuro que eternizou Zurbarán, mas, na verdade, o homem que pintou O Martírio de São João Damasceno não era espanhol, mas italiano, e chamou-se Luigi Miradori, dito Il Genovesino. Até 10 de abril, este óleo sobre tela de grandes dimensões pode ser apreciado em todo o seu esplendor no Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, no âmbito do ciclo "O Belo, a Sedução e a Partilha" que traz a esta instituição, por períodos breves, obras de coleções privadas que, de algum modo, dialoguem com o acervo do museu.

Para Maria e João Cortez de Lobão, os proprietários desta obra desde 2020, a sua aquisição, dizem-nos, "obedeceu a um impulso de paixão." Mas não foi o capricho dum momento. Ainda hoje, quanto mais olham para ela, mais se sentem interpelados. "Sentimo-nos a entrar na cena retratada, que é a do martírio do santo, e interrogamo-nos quem somos nós ali. Os que assistem em aflição ao que se está a passar? Os indiferentes, o próprio carrasco? É perturbador mas também desafiante."

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