Exclusivo A Europa vista da Transilvânia

Já vencedor de uma Palma de Ouro, o romeno Cristian Mungiu está de novo em Cannes com um filme magnífico: R.M.N. parte da banalidade do quotidiano para avaliar o "estado do mundo".

Na cena inicial do magnífico R.M.N., do romeno Cristian Mungiu (apresentado na competição de Cannes), um menino atravessa uma zona de floresta, a caminho da escola. A certa altura, imobiliza-se, olhando para qualquer coisa que, obviamente, o está a assustar... Vira as costas e afasta-se - o facto de deixar de falar não será estranho a essa experiência traumática.

Que "coisa" a criança viu? Não sabemos qual a sua forma ou identidade e, em boa verdade, essa ausência de imagem é o "tema" central do filme de Mungiu, já vencedor do festival (em 2007, com 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias). A metáfora é, de uma só vez, abrangente e contida, intensa e subtil. Tudo acontece numa aldeia da Transilvânia onde romenos coexistem com habitantes provenientes de países próximos, em especial Hungria e Alemanha - no limite, deparamos com um microcosmos que nos leva a pensar numa diversidade tensa, eminentemente europeia.

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