7 dias, 7 propostas por Marcantonio del Carlo

Estreou-se na televisão em 1990, no elenco da série O Cacilheiro do Amor, realizada por Nicolau Breyner. Daí seguiram-se as telenovelas, entre as quais Sangue Oculto, em exibição na SIC. Anos antes já tinha estado em cena no Teatro Experimental de Cascais, e desde então representou e encenou várias peças. No cinema, e depois de várias participações, realizou Histórias com Tábuas (2015) o seu primeiro filme. Atualmente, participa na recém-estreada série Cuba Livre (RTP).Estas são as suas sugestões para os próximos 7 dias.

1.Livro

Puta de Vida de Joaquim Paulo Nogueira.
Editora Abysmo

Não é por sermos amigos, não é por já termos escrito juntos uma peça de teatro, não é para lhe fazer publicidade, é mesmo só porque acho que ele escreveu um belo romance. Não é só uma história de ficção desconcertante onde as personagens podiam ser reais, é uma narrativa onde o leitor fica sempre atento às entrelinhas do autor que não as escreve mas apenas sugere. Esta foi uma das últimas obras editadas pelo fundador da Editora Abysmo, o grande Paulo Cotrim. A minha escolha também é por isso, para homenagear um dos maiores homens das letras portuguesas dos últimos anos.

2. Filme
Submissão de Leonardo António - distribuição NOS

Aqui puxo a brasa à sardinha de um belo grupo de atores que se juntou para fazer um filme que vai estrear no dia 20 de outubro nas salas de cinema portuguesas. Foi uma bela aventura onde a Maria João Abreu e a Iolanda Laranjeiro encabeçaram um elenco cheio de talento e deram vida a uma história que infelizmente continua a ser a história dos nossos dias: a violência sobre as mulheres. Já ganhou prémios internacionais e agora "vai estar num cinema perto de si" como se diz nos anúncios.

3. Série
Cuba Livre

Aqui a sardinha é minha (pois faço parte do elenco) e a brasa é do grande Henrique Oliveira. Trata-se de uma série portuguesa que mais uma vez nasceu da cabeça e talento do Henrique e da sua produtora, com quem eu já tinha filmado Vidago Palace. Mais uma ida ao passado, desta vez na "quase" Cuba do Che Guevara, e no Portugal ainda fascista. Uma interpretação brilhante da Beatriz Godinho e de um elenco internacional. Podem ver na RTP 1 ou RTP Play.

4. Jantar
Restaurante Choco do Bairro em Campo de Ourique.

Aqui, muitos comensais vão pelo choco frito ou assado que é a grande especialidade da casa. Mas quem conhece o "Mário" como eu, sabe que ele com os tachos faz muito mais. A caldeirada, o arroz de lingueirão e o seu caril de gambas é que me levam lá, pelo menos uma vez por mês. Tudo começa sempre com um telefonema de véspera onde a conversa é sempre a mesma: "Olá Mário, amanhã somos uns tantos e a fome é muita. Pode ser?"

5. Caminhada
Na praia da Costa da Caparica.

Logo pela manhã e de preferência com a maré baixa. Agora que se avizinha o outono e o verão já lá vai, o areal está deserto e só nos cruzamos aqui e ali com colegas de passada rápida, ou donos de cães e os seus respetivos quatro patas. As gaivotas já sentem o inverno a chegar, e quase não levantam voo quando passamos por elas em marcha acelerada. Tem mais com que se preocupar. Para elas vem aí tempestade e o melhor é mesmo ficar em terra. Nós andamos quilómetros e o mar nos faz companhia como nunca o fez no verão.

6. Teatro
A Casa de Bernarda Alba no Teatro da Comuna

É um grande texto este do Federico García Lorca. Poder rever o João Mota em palco é importante para toda uma geração de atores, que, como eu viveram um tempo teatral único em Portugal. O fundador da Comuna, tal como o Luís Miguel Cintra, e outros grandes como eles, são marcos importantes para o teatro português. Vale sempre a pena ir ver as suas representações ou encenações.

7. Casa
"Dolce far niente"

Apesar de agora não poder dar azo ao vício, porque tenho uma Simone de dois anos que me ocupa toda a existência, o ócio sempre foi uma forma de estar que cultivei ao longo destes cinquenta e seis anos de vida. Sou preguiçoso e tenho muito orgulho nisso. Adoro estar sentado no sofá e cultivar aquele "dolce far niente" que te obriga apenas a beber um bom alentejano e a ouvir um Chet Baker muito baixinho. Por isso para quem pode - eu para já não consigo, pelo menos até aos vinte da Simone - calcem as pantufas, encham o copo e afinem os ouvidos: fiquem em casa sem fazer nada. É tão bom...

filipe.gil@dn.pt

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