Premium Jacarta: uma crónica de José Luís Peixoto

Selamat Datang significa bem-vindo em bahasa; pelo menos, assim me tinham dito, com um sorriso transbordante, esse mesmo sorriso a fazer-me sentir bem-vindo.

Caminhei durante cerca de meia hora a partir do monumento Selamat Datang, algumas centenas de metros por passeios de cimento, ao lado de uma enorme estrada, Jalan Thamrin, fluxo permanente de trânsito, carros, camionetas, bandos de motas a preencher os intervalos. O trânsito era um rio que, em vez de água, levava toda aquela chapa, fumo de canos de escape, homens com capacete, mulheres sentadas de lado no banco das motas. Selamat Datang significa bem-vindo em bahasa; pelo menos, assim me tinham dito, com um sorriso transbordante, esse mesmo sorriso a fazer-me sentir bem-vindo.

O sol existia na sua máxima força por detrás das nuvens. O céu cinzento e incandescente era um filtro que transformava o calor numa febre. Poupava a exposição direta e as queimaduras, favorecia a ebulição, sangue a ferver debaixo da pele, suor a ferver sobre a pele. Cruzei-me com pouca gente nesses passeios amplos, construídos para multidões. Sem o barulho permanente das motas, sem a habilidade daqueles motoristas, presença que contornava obstáculos, à procura do melhor caminho, aquele ponto de uma cidade com nove milhões e seiscentas mil pessoas pareceria um deserto, apenas alguns porteiros dos enormes prédios, escritórios, a olharem-me muito surpreendidos, quem é este?, para onde vai?

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