Traça do bicho da seda inspira detetor de explosivos

Os investigadores do Centro Nacional de Pesquisa Científica, de França, inspiraram-se na estrutura nanométrica das antenas de uma mariposa para desenvolver um detetor de explosivos capaz de rivalizar com o olfacto dos cães treinados para esse propósito, revelou o organismo em comunicado.

O dispositivo é constituído por uma "micro-alavanca em silício" coberta de 500 mil nanotubos de dióxido de titânio. É capaz de detetar concentrações de TNT (trinitrotolueno) mil vezes inferiores às detetadas pelos sistemas atuais, segundo o CNRS (sigla em francês).

Os métodos atuais conseguem detetar concentrações de TNT na ordem de uma molécula de explosivos por um milhar de moléculas de ar, um desempenho impressionante mas que fica aquem do de vários animais. A traça do bicho da seda (Bombyx mori) é capaz de reagir à presença de apenas algumas moléculas de feromonas graças às suas antenas de menos de um milímetro cobertas de minúsculos filamentos.

É esta estrutura que os cientistas do CNRS, do Instituto Franco-Alemão de Pesquisas de Saint-Louis e da Universidade de Estrasburgo procuraram imitar artificalmente. Para tal, conceberam uma "micro-alavanca" de silício de 200 mícrones (milésima parte do milímetro) por 30, e cobriram-na com uma "floresta" de nanotubos de titânio alinhados verticalmente, que multiplica por cem a superfície de contacto, aumentando proporcionalmente a sua capacidade para detetar as moléculas desejadas.

É a "vibração da alavanca" que alerta para a presença de TNT no ambiente, visto que as moléculas deste explosivo modificam de forma específica a frequência da ressonância própria do dispositivo.

Este detetor experimental, apresentado na revista alemã Angewandte Chemie, poderá ser utilizado para detetar drogas, agentes tóxicos, poluentes orgânicos e outros explosivos de volatilidade baixa, indica o CNRS.

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