Tabela Periódica ganha um novo elemento

É oficial: a tabela periódica vai ganhar um novo elemento.  Ele já estava previsto, mas uma equipa do instituto Helmoltz GSI, de Darmstadt, na Alemanha, conseguiu produzi-lo em laboratório. A equipa tem agora  o privilégio de escolher o nome, o que deverá ser feito nas próximas semanas. Dentro de seis meses, a tabela será assim actualizada.

A tabela periódica, a representação visual dos elementos químicos em função das suas propriedades atómicas, que se tornou um ícone da cultura científica do século XX e é referência obrigatória de qualquer aluno do secundário, vai ter um novo elemento. É oficial. Ainda não tem nome, mas o seu número atómico é 112, o que faz dele o elemento mais pesado até agora de toda a tabela. É também o primeiro novo elemento a entrar na tabela desde 2004.

Produzido pela primeira vez em 1996 por uma equipa internacional liderada pelo centro Helmoltz GSI para a investigação de iões pesados, em Darmsadt, o elemento 112 foi agora oficialmente reconhecido pela Union of Pure and Applied Chemistry (IUPAC), a organização internacional que tem autoridade para o fazer.

A IUPAC deu à equipa liderada pelo investigador Sigurd Hofmann a possibilidade de escolha do nome, e os cientistas esperam ter um nome escolhido dentro de algumas semanas. Depois caberá à IUPAC aceitar, ou não, a sugestão.

O último elemento que ocorre na natureza a ser descoberto, em 1925, foi o rénio. Desde então, os novos elementos que entraram para a tabela periódica foram produzidos pelos cientistas, através da fusão de átomos de diferentes substâncias.

A equipa alemã de Darmsadt tem dado aliás um importante contributo nesse sentido. O 112 já é o sexto elemento que ela coloca na tabela periódica. Mesmo o último que passou a constar oficialmente da tabela, em 2004, foi produção sua. Trata-se do roentgénio, que a equipa de Sigurd Hofmann resolveu denominar assim em homenagem ao físico alemão Wilhelm Conrad Roentgen (1845-1923).

E se o roentgénio tem um peso atómico de 111 - o que significa que o núcleo do seu átomo tem 111 protões - , e era até agora o elemento mais pesado a constar oficialmente na tabela periódica, o 112 é o senhor que se segue. Na verdade, o seu lugar já lá estava previsto, ao lado do 111, e designado sem qualquer cerimónia por Unnunbium. Ou seja, 1-1-2 em latim.

Para produzir este átomo com 112 protões, a equipa de Sigurd Hofmann, que conta com a participação de 21 investigadores alemães, finlandeses, russos e eslovacos, acelerou iões de zinco em direcção a um alvo de chumbo. Os núcleos de zinco e de chumbo fundiram-se uns nos outros e formaram núcleos atómicos do novo elemento.

A equipa já tinha produzido estes átomos em 1996, nas instalações do GSI, em Darmsadt. Em 2000, a mesma equipa repetiu os resultados, conseguindo de novo produzir um átomo do elemento 112 e, entretanto, outras equipas, uma delas na Japão, reproduziu o mesmo efeito. A IUPAC avançou então para a aceitação do novo elemento. Dentro de seis meses ele estará oficializado na tabela. A incógnita é agora o nome.-

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