Sonda descobre 40 crateras com gelo na Lua

Radar da 'Chandrayaan' encontra água na forma sólida no Pólo Norte do satélite da Terra.

O Pólo Norte da Lua está crivado de crateras e estas estão cheias de água gelada. De acordo com os últimos dados recolhidos pelo radar Mini-SAR da NASA, a bordo da sonda indiana Chandrayaan--1, poderão existir ali cerca de 600 milhões de toneladas cúbicas de gelo, quase todo feito de água pura. Esta é, no entanto, uma estimativa por baixo, porque se desconhece a espessura da cama de gelo. A descoberta foi divulgada na Lunar and Planetary Science Conference, no Texas, e será publicada na Geophysical Research Letters.

"A imagem que emerge das medições realizadas por diferentes missões lunares mostra que há ali água a gerar-se, mas também existe migração, deposição e retenção de água", explicou Paul Spudis, investigador do Mini- -SAR, no Lunar and Planetary Institute, em Houston, nos EUA.

A observação pela sonda indiana permitiu identificar mais de 40 crateras, cujo diâmetro varia entre dois quilómetros (as mais pequenas) e 15 quilómetros, as maiores. Muitas delas estão sempre na sombra e as temperaturas ali atingidas são muito baixas.

Em algumas destas crateras, os instrumentos da Chandrayaan-1 registaram 248 graus Celsius negativos, o que impede que o gelo se volatilize.

Já se sabia por dados indirectos que a Lua continha bolsas de água gelada, mas a confirmação só chegou em Outubro do ano passado, quando a NASA decidiu terminar a missão da Lunar Crater Observation and Sensing Satelite (LCROSS) em beleza, fazendo-a despenhar- -se na região do Pólo Sul.

Os resultados superaram as expectativas mais optimistas dos cientistas, já que na sequência da colisão pu-deram contabilizar grandes quantidades de água gelada e de vapor de água naquela região. Esta foi, no entanto, a primeira vez que se verificou que também existem grandes depósitos de água gelada no Pólo Norte.

Uma das incógnitas que fica é a da exacta quantidade de gelo que pode estar no interior das crateras observadas pela sonda indiana, já que o radar Mini-SAR não pôde fazer essa avaliação em profundidade. Os investigadores da NASA consideram que aqueles depósitos deverão ter pelo menos dois metros de espessura. E quase tudo é "água pura", como afirmou Paul Spudis, citado pela BBC News.

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