Só um milagre pode salvar missão russa a Marte

Um perito dos serviços espaciais russos disse hoje à agência noticiosa Interfax que só um milagre pode salvar a sonda "Phobos-Grunt", lançada hoje de madrugada, a bordo do foguetão "Zenit", do cosmódromo Baikonur, no Cazaquistão.

"Os especialistas tinham prevenido que o sistema de comando da estação interplanetária não estava totalmente preparado. O risco de fracasso devido a uma situação extraordinária era muito grande. Infelizmente, os piores prognósticos realizaram-se", acrescentou a mesma fonte, que pediu o anonimato.

"A elaboração da trajectória interplanetária é muito complicada, deve ter em conta numerosos factores balísticos e, por isso, o controlo automático devia trabalhar idealmente", disse.

O perito, citado pela Interfax, considerou "não científica" a versão de que o fracasso do lançamento da sonda se deveu à influência da passagem de um asteróide no sistema de direcção do aparelho.

O presidente da agência espacial russa Roskosmos, Vladimir Popovkin, considerou que o incidente não ditou o "fracasso" da missão ao realçar que os especialistas têm agora 72 horas para carregar um novo programa de voo no computador central da "Phobos-Grunt".

Caso os especialistas não consigam salvar a sonda no prazo de três dias, os acumuladores de energia deixarão de funcionar e o aparelho acabará por cair na Terra.

Um dos aparelhos da sonda contém cobalto radioactivo, mas os especialistas afirmaram não constituir qualquer perigo. "A quantidade de cobalto que se encontra na sonda 'Phobos-Grunt' é muito pequena e não constitui qualquer perigo", precisou uma fonte da agência noticiosa russa Ria-Novosti.

Este pode ser o quarto fracasso da Roskosmos em 2011 no lançamento de naves espaciais. Caso acabe por se concretizar, esta será a primeira missão interplanetária russa com êxito desde 1986.

O aparelho destina-se à recolha de amostras do solo de Phobos, onde aterrará ao fim de quase um ano após o lançamento. As amostras são esperadas na Terra em 2014.

A missão espacial propõe-se determinar se Phobos é um asteróide bloqueado na órbita de Marte ou se este pequeno corpo celeste, de 18 quilómetros de diâmetro, foi 'arrancado' do planeta vermelho.

De acordo com a Roskosmos, determinar a origem de Phobos, o maior dos dois satélites marcianos, permitirá compreender melhor os mecanismos de formação do sistema solar.

A última missão interplanetária russa com êxito aconteceu em 1986, com as sondas «Vega», que exploraram o planeta Vénus e o cometa Halley.

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