Não existe incompatibilidade entre as duas vacinas

A Direção-Geral de Saúde esclareceu hoje que não existe qualquer incompatibilidade na administração conjunta das vacinas RotaTeq e Prevenar 13, mas confirmou que o bebé que morreu em Camarate recebeu as inoculações menos de 24 horas antes da sua morte.

Em declarações à agência Lusa a pediatra e diretora dos Serviços de Prevenção e Controlo da Doença da Direção-Geral de Saúde (DGS), Ana Leça, explicou que não existe qualquer contraindicação na administração conjunta das duas vacinas.

"É uma prática comum, não há incompatibilidade entre as duas vacinas na sua administração conjunta", explicou a médica especialista, que é também membro da Comissão Técnica de Vacinação.

Ana Leça sublinhou que em termos médicos não se está, por isso, perante qualquer caso de "má prática".

Apesar de recusar estabelecer uma relação causal entre a vacinação e a morte de um bebé de seis meses numa creche em Camarate, na passada segunda-feira, a pediatra confirmou que a morte da criança, não tendo sido um "evento imediato", ocorreu menos de 24 horas depois de esta ter sido vacinada.

Ainda assim, a responsável da DGS recusa falar em "reação adversa" à vacinação para explicar o que terá motivado a morte da criança de seis meses, preferindo, para já, e até que haja um "esclarecimento cabal da situação", falar num "evento muito grave".

"O que é importante salientar é que, neste momento, não existe, de facto, uma documentação de uma reação adversa. Houve sim um evento grave cujas causas se estão a tentar esclarecer", frisou Ana Leça.

Reação adversa grave foi a expressão utilizada pelo Infarmed no comunicado em que anunciou a suspensão de dois lotes específicos das vacinas RotaTeq e Prevenar 13, aqueles com os quais o bebé de seis meses que morreu numa creche em Camarate foi vacinado.

Ana Leça disse que nenhuma destas vacinas faz parte do Programa Nacional de Vacinação ou das vacinas recomendadas para todas as crianças, administradas apenas com um objetivo de "proteção mais individual", e apenas compradas por prescrição médica.

A especialista da DGS apelou à calma dos pais de crianças que tenham sido recentemente inoculadas com vacinas destes lotes, afirmando que não existe razão para preocupação e que "o importante é que a vacinação continue".

A DGS não tem ainda qualquer resultado dos exames técnicos e periciais pedidos no âmbito deste caso ou previsão de quando eles possam estar concluídos.

O Instituto Nacional de Medicina Legal, que realizou na delegação de Lisboa a autópsia da criança, disse hoje à Lusa, pela voz do seu presidente Duarte Nuno Vieira que os resultados só serão conhecidos dentro de semanas.

O Infarmed disse hoje à Lusa que vai manter a suspensão dos lotes das vacinas RotaTeq e Prevenar 13 enquanto aguarda os resultados das perícias para determinar se a vacinação causou a morte do bebé de Camarate.

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