Min. Saúde: vacina pode não ser causa da morte na Suécia

A subdirectora-geral da Saúde afirmou hoje que na Suécia a vacinação contra a gripe A abrange neste momento pessoas "muito doentes", pelo que a morte de um doente após ser vacinado pode não estar associada ao medicamento.

Em declarações à agência Lusa, Graça Freitas disse que ainda não teve acesso aos dados da fármaco-vigilância, mas que "tudo indica que seja uma associação temporal entre a administração da vacina e a morte", tendo em conta que se tratava de uma "pessoa muito doente".

A agência sueca do medicamento está a investigar a morte de um homem doze horas depois de ser vacinado contra o vírus da gripe A (H1N1), apesar de até agora não ter sido estabelecida uma relação causa-efeito.

Num primeiro relatório publicado no seu site na Internet sobre as reacções adversas da vacina Pandemrix (GSK) registadas na Suécia, a agência do medicamento refere cerca de 100 casos, dos quais seis avaliados como graves, um dos quais resultou numa morte.

O homem padecia de aterosclerose grave, o que lhe provocava sérios problemas no funcionamento dos órgãos. A vítima sofreu uma dor de peito antes de morrer.

Escusando-se a fazer grandes comentários ao caso, uma vez que aguarda informações da autoridade nacional do medicamento (Infarmed), Graça Freitas adiantou que "na Suécia o grupo que está a ser vacinado neste momento é um grupo de pessoas muito doentes".

"Infelizmente, a vacina não protege contra a morte. Nas pessoas que estão muito doentes, pode acontecer apenas uma associação temporal", disse.

A subdirectora-geral da Saúde disse ainda que "não há qualquer evidência científica sobre os possíveis efeitos negativos" da vacina contra a gripe A.

"Já há alguma evidência científica sobre a segurança da vacina", garantiu.

Contactado pela Lusa, o porta-voz do Infarmed, Carlos Pires, adiantou que a Agência Europeia do Medicamento (EMEA) já informou a congénere portuguesa da morte do homem, adiantando que não há uma relação de causalidade com a vacina.

Por seu turno, a directora de comunicação da GlaxoSmithKline, que produz a vacina Pandemrix, confirmou à Lusa este caso, sublinhando que o laboratório, em colaboração com as autoridades de saúde suecas, está a "monotorizar toda a evolução da vacinação".

A vacina Pandermix vai começar a ser administrada em Portugal na segunda-feira, sendo os grupos prioritários os profissionais de saúde, profissionais que desempenham funções essenciais ao normal funcionamento da sociedade e grávidas do segundo e terceiro trimestres de gestação com patologia.

Portugal encomendou seis milhões de doses de vacinas para administrar a três milhões de pessoas, que receberão duas doses cada. Esta encomenda custou ao Estado português 45 milhões de euros.

Graça Freitas disse ainda à Lusa que a vacina da gripe sazonal não está esgotada e que continua no circuito das farmácias.

"Quem tiver indicação e receita do médico para se vacinar pode dirigir-se às farmácias porque ainda há vacinas no circuito comercial. Temporariamente uma determinada farmácia pode não ter vacinas, mas é uma questão de esperar dois ou três dias", adiantou.

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