Exposição à poluição aumenta risco de cancro do pulmão

A exposição a longo prazo à poluição atmosférica, especialmente à das partículas em suspensão, aumenta o risco de cancro do pulmão, mesmo em doses inferiores às autorizadas pela União Europeia, revela um estudo.

Segundo o estudo, publicado hoje na revista científica The Lancet Oncology, a exposição prolongada à contaminação de partículas aumenta o risco de cancro do pulmão, em particular o adenocarcinoma, que se desenvolve também nos não fumadores.

O estudo, dirigido por Ole Raaschou-Nielsen, do Centro de Investigação da Sociedade Dinamarquesa do Cancro, avaliou o impacto da exposição, a longo prazo, aos óxidos de nitrogénio, bem como às partículas em suspensão de diâmetro inferior a 2,5 mícrones e a 10 mícrones (um mícron corresponde à milésima parte do milímetro).

As fontes de contaminação atmosférica, por partículas, incluem o tráfego automóvel, a indústria e o aquecimento de casas.

Os investigadores analisaram 17 estudos de nove países europeus, abrangendo 313 mil pessoas.

Ao todo, 2.095 pessoas desenvolveram cancro do pulmão durante os 13 anos em que foram seguidas no âmbito desses estudos.

A investigação coordenada por Ole Raaschou-Nielsen concluiu que, por cada aumento de cinco microgramas por metro cúbico de contaminação de partículas de diâmetro inferior a 2,5 mícrones, o risco de cancro do pulmão sobe 18 por cento.

Já por cada aumento de 10 microgramas por metro cúbico na contaminação por partículas de diâmetro abaixo dos 10 mícrones, esse risco cresce 22 por cento, com efeitos mais fortes nos adenocarcinomas.

Não foi observada qualquer associação entre o cancro do pulmão e a concentração de óxidos de nitrogénio.

Mark Nieuwenhuijsen, do Centro de Investigação em Epidemiologia Ambiental de Barcelona, que participou na investigação, adiantou que "a associação entre a contaminação por partículas do ar e o risco do cancro do pulmão persiste também em concentrações abaixo dos valores-limite da qualidade do ar na União Europeia em partículas de diâmetro inferior a 10 mícrones e a 2,5 mícrones".

Não foi encontrado nenhum limiar debaixo do qual não há risco de cancro do pulmão.

Num outro trabalho, publicado na mesma revista, investigadores da Universidade de Edimburgo, no Reino Unido, concluíram que uma exposição breve a certos poluentes atmosféricos (monóxido de carbono, dióxido de enxofre e dióxido de azoto) aumenta o risco de hospitalização ou morte por insuficiência cardíaca na ordem dos 2 a 3 por cento.

Ler mais

Exclusivos

Premium

nuno camarneiro

Uma aldeia no centro da cidade

Os vizinhos conhecem-se pelos nomes, cultivam hortas e jardins comunitários, trocam móveis a que já não dão uso, organizam almoços, jogos de futebol e até magustos, como aconteceu no sábado passado. Não estou a descrever uma aldeia do Minho ou da Beira Baixa, tampouco uma comunidade hippie perdida na serra da Lousã, tudo isto acontece em plena Lisboa, numa rua com escadinhas que pertence ao Bairro dos Anjos.

Premium

Rui Pedro Tendinha

O João. Outra vez, o João Salaviza...

Foi neste fim de semana. Um fim de semana em que o cinema português foi notícia e ninguém reparou. Entre ex-presidentes de futebol a serem presos e desmentidos de fake news, parece que a vitória de Chuva É Cantoria na Aldeia dos Mortos, de Renée Nader Messora e João Salaviza, no Festival do Rio, e o anúncio da nomeação de Diamantino, de Daniel Schmidt e Gabriel Abrantes, nos European Film Awards, não deixou o espaço mediático curioso.