Dez casos de lepra é a média de Portugal nos últimos anos

Leproso O número de doentes com lepra tem diminuído em Portugal, 11 casos em 2008, menos um que no ano anterior. A doença está erradicada na Europa como problema de saúde pública, mas há regiões onde se mantém como um problema grave. O Brasil é o segundo país com mais casos. Ontem foi o Dia Mundial do Leproso.

"Em Portugal, o número de casos da doença de Hansen (como também é conhecida a lepra) não tem relevância. Estão dentro da média registada nos últimos 20 anos, vai sempre oscilar nesses números", explicou à agência Lusa Maria Raquel Vieira, especialista do Hospital Curry Cabral, em Lisboa. E sublinhou que nenhum dos casos tem origem em Portugal, mas antes em pessoas oriundas de África e do Brasil, "como consequência das migrações".

A lepra é causada por uma bactéria que, nos casos mais graves, pode deixar os doentes desfigurados ou provocar invalidez severa, se não for tratada. "É uma doença crónica porque, embora tenha cura, pode deixar os doentes com sequelas permanentes. É uma doença muito estigmatizada porque tem lesões à vista", explicou.

Os pacientes são tratados com antibióticos "em ambulatório" e, em geral, não é necessário internamento. Ao contrário do que sucedeu nos anos 40 e 50, quando os doentes eram sujeitos a internamento compulsivo e isolamento.

"Hoje em dia, com diagnóstico feito de forma o mais precoce possível, a cura é efectiva e as sequelas são mínimas", sustentou.

A média de casos na Europa é inferior a um por dez mil habitantes. A Índia é o país com mais casos, 250 mil novos casos anualmente notificados no mundo.

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