Há branqueadores dentários vendidos indevidamente

As autoridades têm detetado "inúmeros" branqueadores dentários comercializados indevidamente e com irregularidades que podem afetar a saúde de quem os usa, revelou à agência Lusa o bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas.

A identificação destes produtos tem sido feita através das ações de fiscalização, para as quais foi assinado um protocolo de colaboração, em novembro passado, entre a Ordem e a autoridade que regula o setor do medicamento (Infarmed).

Este protocolo visa permitir um maior controlo e fiscalização da utilização de peróxido de hidrogénio, uma substância utilizada pelos médicos dentistas nos branqueamentos dentários e que pode causar danos à saúde quando não é aplicada corretamente.

Segundo a Ordem, "para se obterem resultados num branqueamento dentário profissional, o peróxido de hidrogénio tem de ter uma concentração superior a 0,1 por cento e, neste caso, apenas pode ser utilizado por um médico dentista devidamente habilitado".

Esta substância não pode ser utilizada, por exemplo, em pessoas com lesões nas gengivas, cáries dentárias e lesões pré-malignas, situações que se agravam e muito com a aplicação de peróxido dentário.

As autoridades estão especialmente atentas à venda livre destes produtos, tendo sido encontrados, no decorrer das fiscalizações, casos de rotulagem indevida e publicidade enganosa ao material vendido, entre outras irregularidades, segundo o bastonário.

Orlando Monteiro da Silva adiantou que a venda destes produtos é "florescente por entidades em vão de escada" e alertou para os "perigos para a saúde pública" que a venda indevida destes branqueadores representa.

"É um grande negócio. As pessoas vão ao engano", disse.

Segundo Orlando Monteiro da Silva, os estabelecimentos que vendem estes produtos indevidamente estão a ser notificadas para tirarem os mesmos de circulação.

Ao nível dos consultórios de médicos dentistas, o bastonário disse que nestes espaços "há muito que há regras" e que estas costumam ser seguidas.

A Ordem alerta para o facto de, nos últimos anos, terem proliferado anúncios de branqueamentos dentários em cabeleireiros, centros de estética, spas, entre outros.

No entanto, a lei proíbe a comercialização nestes espaços de concentrações de peróxido dentário superiores a 0,1 por cento.

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