Gales investiga possíveis casos de resistência ao Tamiflu

As autoridades de saúde britânicas abriram hoje um inquérito a possíveis casos de transmissão de uma estirpe do vírus da gripe A (H1N1) resistente ao tratamento com o medicamento antiviral Tamiflu.

Nesta altura, são conhecidos no país de Gales os casos de cinco doentes portadores de uma estirpe do vírus H1N1 resistente ao medicamento Tamiflu, o medicamento antiviral produzido pelos laboratórios da farmacêutica suíça Roche. Estes doentes, com graves problemas de saúde relacionados com a contracção do vírus, foram admitidos no hospital universitário do país de Gales, em Cardiff.

Três dos pacientes podem ter sido contaminados no hospital, precisou o serviço de saúde pública da região (NHPS). Na sequência destes casos, foi aberto um inquérito para determinar se os três doentes foram infectados por uma estirpe do vírus resistente ao Tamiflu, indicou a Agência de Protecção Sanitária (HPA).

"A HPA está em diligências com os seus colegas do NPHS para inquirir um certo número de casos de possível transmissão humana da gripe A resistente ao Oseltamivir [o princípio activo do medicamento Tamiflu]", indicou a HPA.

Diz a BBC que, se as suspeitas se confirmarem, estes serão os primeiros casos confirmados no mundo de transmissão de uma estirpe do vírus H1N1 resistente ao Tamiflu.

"Até hoje, nove casos confirmados de gripe A foram assinalados entre pacientes de um hospital do país de Gales. Cinco deles são conhecidos por serem resistentes ao Oseltamivir, um outro é sensível ao medicamento e a condição dos outros três pacientes não é ainda conhecida", indicou a HPA.

Já foram constatados no mundo alguns casos de resistência ao Tamiflu, mas não ficou provado que a resistência se devesse a uma contaminação entre pessoas por uma estirpe do vírus resistente ao medicamento.

Dois dos cinco pacientes recuperaram e tiveram alta do hospital. Um dos três pacientes ainda hospitalizados está em estado grave. Os três estão a receber tratamento com outros medicamentos antivirais.

Risco fraco para a saúde pública

Apesar do anúncio, a HPA tranquilizou: "Estimamos que o actual risco seja fraco para a saúde pública. Não existe nenhuma prova de que o vírus resistente ao Oseltamivir seja mais virulento que um de outro tipo de gripe... O vírus continua sensível ao outro medicamento, Relenza, utilizado como alternativa [ao Tamiflu] e os doentes reagiram bem".

No hospital em questão, foram accionadas as medidas de protecção, indicou o NPHS.

"O surgimento de vírus de tipo A resistentes ao Tamiflu não é uma surpresa entre os pacientes que têm graves problemas de saúde conexos e um sistema imunitário deficiente", explicou o Dr. Roland Salmon, director do centro de vigilância de doenças infecto-contagiosas do NPHS.

"Neste caso, a estirpe resistente da gripe não parece ser mais grave que a do vírus detectado em Abril", acrescentou.

O Reino Unido é o país da europa com mais casos de gripe A. Naquele país, aparecem todas as semanas cerca de 50 mil novos casos de contaminação e já morreram cem pessoas com o vírus.

Em todo o mundo, o vírus da gripe A fez cerca de 6.750 mortos, 500 dos quais só na última semana, o que configura um aumento de 8%, segundo os números divulgados hoje pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Noruega identificou mutação

Hoje, o "Instituto de Saúde Pública norueguês informou a OMS de que foi detectada uma mutação em três casos de vírus H1N1", explicou a OMS em comunicado.

"Os vírus foram isolados a partir dos dois primeiros casos mortais deste tipo de gripe no país e de um outro doente gravemente afectado", acrescentou a OMS.

Os cientistas noruegueses analisaram 70 outros casos e "nenhum outro sinal de mutação foi registado", sublinhou a OMS.

Além da Noruega, já foram igualmente detectados casos de mutação do vírus desde Abril no Brasil, na China, no Japão, no México, na Ucrânia e nos Estados Unidos, segundo o comunicado.

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