Escrever no computador pode tornar-se actividade dominante nas escolas em 15 anos

Neurologistas dizem que a escrever à mão é fundamental para o desenvolvimento  do cérebro das crianças

"A prática da escrita manual ainda é a técnica mais utilizada no ensino, mas tudo indica que só continuará a ser nos próximos dez ou 15 anos, por causa da crescente introdução de meios informáticos", constata João Anacleto, do Instituto do Cérebro.

No entanto, esta é uma actividade fundamental nas crianças, que pode ter implicações no seu processo de desenvolvimento, defende o neurologista Alexandre Castro Caldas. "A aprendizagem da escrita à mão na idade escolar promove o desenvolvimento de uma região no lobo parietal do cérebro que só acontece em tenra idade por causa da sua elasticidade nessa fase", explica o especialista e director do Instituto de Ciências da Saúde, da Universidade Católica Portuguesa. "É esta a área que constitui a interface entre a visão e o movimento, que depois é utilizada para outras tarefas diárias."

Para o João Anacleto, todas as crianças, desde a pré-escola, necessitam de desenvolver a sua motricidade, o que é conseguido com a escrita. "É necessário que aprendam o manuseamento, com precisão, e a coordenação de objectos ou instrumentos como são os casos das canetas e lápis, daí que durante no ensino pré-escolar as crianças já sejam incentivadas a realizar desenhos e pinturas."

Os especialistas não se manifestam, no entanto, contra a utilização do computador. "Cabe à escola manter o acesso aos dois métodos", defende, por seu lado, o presidente do Instituto da Inteligência, Nelson Lima. Mas pede cautela e moderação. "O problema dos suportes electrónicos é que facilitando a escrita, uma vez que têm programas com correctores gráficos e ortográficos, podem impedir o desenvolvimento da linguagem natural que se aprende através da escrita à mão."

"Infelizmente, em muitos dos alunos que acompanhamos, verificamos que, quando munidos de computadores, essas crianças e esses jovens revelam índices de distracção acrescidos e a maioria tende a adoptá-los como ferramenta lúdica invés de trabalho", defende também João Anacleto.

A psicóloga Sofia Valadares, do Serviço de Apoio Psicológico e Psicoterapia (SAPP), lembra ainda que é em tenra idade que os jovens têm maior capacidade de adicionar novos conceitos e aprender a lidar com as novas tecnologias. "O uso do computador nas escola também ajuda a que o cérebro seja mais estimulado a absorver novas informações", conclui.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG