Dentes das crianças estão a crescer mais rápido

Os dentes das crianças portuguesas estão a desenvolver-se mais cedo do que há um século, como resultado da melhoria na nutrição, cuidados de saúde e salubridade, revela um estudo.

"É o primeiro estudo a demonstrar de forma clara e consistente a influência dos factores ambientais na maturação dentária", afirmou Hugo Cardoso, antropólogo e investigador da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), que liderou o projecto. O trabalho envolveu investigadores da FMUP, da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto (FMDUP) e da Universidade do Estado da Pensilvânia (EUA), tendo permitido avaliar uma amostra de mais de 500 crianças portuguesas, entre os 6 e os 18 anos, de classe socio-económica média a baixa, recrutadas nas consultas da FMDUP.

A maturação dos dentes destas crianças foi comparada com a de esqueletos de 114 crianças, com características semelhantes, nascidas entre 1887 e 1960, que faleceram entre 1903 e 1972. Hugo Cardoso sublinha que "o aceleramento do desenvolvimento dentário está a par do aumento pronunciado na estatura das crianças portuguesas registado nas últimas décadas". Num trabalho científico anterior, o investigador demonstrou que, entre o início e o fim do século XX, as crianças tornaram-se mais altas, mais pesadas e atingiram a maturidade sexual mais cedo. Os resultados revelaram que, nas crianças da amostra moderna, o desenvolvimento dos dentes surgiu 1,22 anos mais cedo nos rapazes e 1,47 anos nas raparigas, em média, comparativamente à amostra histórica.

O investigador salientou que o aceleramento do desenvolvimento dos dentes tem início depois do final do regime ditatorial em Portugal, altura em que se registaram melhorias consideráveis em termos económicos e se investiu em sistemas de saúde e acção social. "Entre as décadas de 60 e 80 também se registaram melhorias importantes na dieta dos portugueses, nomeadamente no que se refere ao aumento das calorias ingeridas por dia e do consumo de produtos de origem animal, como carne e leite", sustentou. O estudo foi publicado na última edição do American Journal of Human.

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