Quercus exige "atenção e investimento" na Peneda-Gerês

A associação ambientalista Quercus exigiu hoje "mais atenção e investimento público" no único parque nacional português, na Peneda-Gerês, a comemorar 43 anos da sua criação.

"A Quercus vem exigir que o Estado dê a devida atenção de forma a potenciar os objetivos que estiveram no cerne da sua criação", afirma hoje a associação ambientalista no comunicado enviado hoje à Lusa para assinalar do Parque Natural da Peneda-Gerês (PNPG).

No documento a que a Lusa teve acesso, a Quercus faz "uma retrospetiva do que foi feito de positivo e negativo nesta Área Protegida" durante este 43 anos, e traça cenários "com base na definição de ameaças e na identificação de oportunidades".

Lembra que as "características únicas" do PNPG "conferem-lhe enormes potencialidades em setores económicos do turismo, agricultura e a investigação científica, possibilitando que este possa ser um exemplo de desenvolvimento sustentável pautado pela harmonia entre o Homem e a Natureza".

Nesse sentido, a associação ambientalista propõe algumas medidas que visam "potenciar" aquela Área Protegida, como, "a criação de um programa de sensibilização e de incentivos a práticas agrícolas sustentáveis e tradicionais ou a implementação de medidas de conservação das manchas florestais autóctones mais desenvolvidas".

A "implementação de um programa de erradicação de espécies exóticas, a fiscalização e vigilância na área do parque, com mais recursos humanos e meios materiais, a disponibilização de publicações e informação sobre o Parque, a colocação de uma boa sinalização nos parques eólicos e a sua desativação em períodos de migração" são outras das propostas da Quercus.

No comunicado, a Quercus lembra que esta área protegida "tem vindo a sofrer ao longo dos anos várias alterações provocadas por intervenção humana direta ou por decisões erradas da Administração Pública".

Os casos "da construção de barragens ao longo dos rios Lima e Cávado, a implantação dos parques eólicos de Montalegre e Serra do Barroso, níveis de poluição elevada na albufeira da Caniçada devido a embarcações de recreio, acumulações de poluentes", são alguns dos exemplos evocados.

Constituído a 08 de maio de 1971, o PNPG abrange cinco concelhos dos distritos de Viana do Castelo, Braga e Vila Real, em mais de 70 mil hectares de área protegida, habitada por oito a nove mil pessoas.

Da área total, apenas cinco mil hectares pertencem ao Estado. A maior parte dos terrenos são baldios, o que obriga a um processo de articulação com a direção do parque.

Atualmente, o PNPG tem cerca de 240 espécies de fauna vertebrada identificadas no território e 1100 de flora, além de 500 sítios de interesse histórico e arqueológico.

A Quercus lembra ainda o reconhecimento internacional do parque que " integra a Rede de Reservas Biogenéticas do Conselho da Europa de "Matas de Palheiros-Albergaria, e foi distinguido com a declaração por parte da UNESCO da Reserva da Bioesfera Transfronteiriça Gerês-Xurés".

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