Quercus alerta que efeitos das alterações climáticas em Portugal "serão dramáticos"

Organização ambientalista salienta que é necessário agir pois as mudanças climáticas "estão afetar o planeta mais rapidamente do que se pensava".

A organização ambientalista Quercus alertou hoje para a necessidade de ação para alterar o curso das mudanças climáticas, fenómenos naturais provocados pela ação humana, tais como os que destruíram parte da costa portuguesa neste ano.

O aumento do nível do mar, a acidificação dos oceanos e o degelo estão a afetar o planeta mais rapidamente do que se pensava", frisou Francisco Ferreira, elemento do grupo de energia e alterações climáticas da Quercus, considerando que, "para Portugal, os impactes serão dramáticos".

Francisco Ferreira, que antevê que os fenómenos naturais que afetaram a costa portuguesa serão "cada vez de maior dimensão e mais frequentes" se nada for feito, alertou, também, para a necessidade de se agir, que é a principal conclusão do Quinto Relatório de Avaliação, aprovado hoje em Copenhaga, na Dinamarca, elaborado pelo Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC).

"Um mês depois de um número sem precedentes de manifestantes ter participado em Marchas pelo Clima em todo o mundo, incluindo Lisboa, o Painel mais importante de cientistas confirmou que as alterações climáticas, causadas pela atividade humana, são reais e requerem uma ação imediata", disse o responsável.

Por isso, "a sociedade civil, as empresas, os investidores, e hoje os cientistas, através do Quinto Relatório, não podiam enviar uma mensagem mais clara - compete agora aos Governos acelerarem uma transição, distanciando-se do uso dos combustíveis fósseis para um mundo baseado em 100 por cento de energia renovável".

"Os custos da inação são muito superiores aos custos da ação", sustentou, acrescentando, ainda, "os casos do aumento da temperatura diária máxima em oito graus celsius até final do século, a redução da precipitação e o aumento de grandes fogos florestais".

Segundo Francisco Ferreira, é preciso "reduzir o risco que as alterações climáticas colocam às comunidades e aumentar a resiliência em relação aos impactes que não conseguem ser evitados".

"Temos de deixar as nossas reservas de combustíveis fósseis no subsolo e mudar os nossos investimentos para soluções inovadoras e limpas que estão já disponíveis", afirmou, revelando que, dentro de um mês, em Lima, no Peru, a Quercus "acompanhará o trabalho dos Governos, no sentido de formularem um acordo ambicioso a ser assinado em Paris, em 2015".

O responsável da Quercus assinalou que os políticos devem mudar "o atual paradigma de desenvolvimento", para evitar que, "nas próximas décadas, se passe a lidar com consecutivos desastres climáticos".

O Quinto Relatório indicou que cada uma das três últimas décadas foi mais quente que as anteriores, com uma subida "provável" de 0,85 graus celsius de 1880 a 2012.

O documento conclui, também, que o nível do mar subiu 19 centímetros de 1901 a 2010, nível que poderá fixar-se entre 26 e 82 em finais do século XXI.

O Quinto Relatório culminou cinco anos de trabalho científico, elaborado por 830 autores, 1.200 outros contributos e 3.700 revisões por especialistas, que resultaram na compilação de mais de 30.000 trabalhos de investigação e de 143.000 comentários.

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