Português descobre novo sistema solar com cinco "Terras"

O astrofísico Tiago Campante, coordenou na Universidade de Birmingham, no Reino Unido, o estudo que conduziu à descoberta

Um grupo internacional de astrofísicos que foi liderado pelo investigador português Tiago Campante, da Universidade de Birmingham, no Reino Unido, descobriu um sistema solar que tem nada menos do que cinco planetas idênticos à Terra e que se formou numa fase ainda jovem do universo, há cerca de 11,2 mil milhões de anos - pelas contas dos astrofísicos, o universo formou-se há 13,8 mil milhões de anos.

A descoberta, que de uma assentada coloca várias questões novas para a astronomia, é publicada hoje na revista científica The Astrophysical Journal.

"É o mais antigo sistema planetário com planetas do tamanho da Terra e um dos mais fascinantes sistemas planetários conhecidos até hoje", adianta ao DN Tiago Campante, que não tem dúvidas em classificar a descoberta como "espetacular". Para se ter uma ideia, diz o investigador, "quando a Terra se formou, os planetas deste sistema, que designamos Kepler-444, já tinham uma idade superior à que a Terra tem atualmente".

Para fazer a descoberta, a equipa, que contou com 41 investigadores de 25 institutos de investigação de vários países, incluindo de Portugal, com Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA), que reúne investigadores das Universidades do Porto e de Lisboa, estudou as observações feitas pelo telescópio espacial Kepler ao longo de quatro anos. Lá estava, então, o Kepler-444, que se assemelha a uma miniatura do sistema solar: os seus cinco planetas de tipo rochoso idênticos à Terra estão comprimidos em órbitas muito próximas da sua estrela.

Este novo sistema solar mostra "que a formação de planetas aconteceu mais cedo no universo do que até agora se supunha", explica Tiago Campante, sublinhando que "até há cerca de dois anos, por exemplo, não esperaríamos encontrar algo assim".

O Kepler-444 ajuda também a repensar a questão da vida, sublinha o coordenador do estudo. É certo que nunca se descobriu vida noutro planeta para além da Terra, mas "obviamente, isto tem implicações no que respeita à possível existência de vida inteligente, e bastante mais antiga também, na nossa galáxia", conclui Tiago Campante.

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