Parasita da malária não tem capa à Harry Portter

Equipa da investigadora Maria Mota quebra mito de décadas e descobre que o Plasmodium não é invisível para o sistema imunitário na primeira fase da infeção

Era uma espécie de dogma. Como durante os primeiros sete a dez dias em que o parasita da malária se encontra no fígado a reproduzir-se, depois de a pessoa ter sido infetada, não há sintomas da doença, pensava-se que o parasita ficava ali escondido e o organismo não conseguia detetá-lo nessa fase. Afinal não é assim. O Plasmodium, o parasita da malária, não tem nenhuma capa de invisibilidade à Harry Potter e o sistema imunitário não só reconhece a sua presença, como ainda consegue matar metade deles ainda no fígado.

Esta é mais uma importante descoberta da equipa coordenada pela investigadora Maria Mota mo Instituto de Medicina Molecular (IMM) da Universidade de Lisboa, que abre novos caminhos para desenvolver terapêuticas inovadoras contra a doença.

"O nosso trabalho faz a primeira descrição de que há uma resposta imunitária contra o parasita ainda no fígado, e alguns dos parasitas são mortos nesta fase", afirmou Maria Mota ao DN. "Ou seja, ele não tem um manto de invisibilidade à Harry Potter como se pensava", sublinhou a investigadora.

Com esta descoberta, a sua equipa quebra um mito com muitas décadas e abre novas perspetivas para o combate à doença.

"O tipo de antenas do sistema imunitário que deteta o Plasmodium ainda no fígado é o mesmo que identifica um tipo de vírus no qual se inclui o vírus da hepatite C e isso é muito importante porque neste mesmo artigo demonstramos também que as pessoas com hepatite C estão menos infetadas com a malária", adianta Maria Mota.

Em estado de alerta devido à presença desses vírus no organismo, essas células acabam por estar mais preparadas quando surge o parasita no fígado, e isso aumenta a capacidade da resposta imunitária.

A porta que aqui se abre no combate à malária é muito clara. "Se conseguirmos pôr estas antenas a funcionar antes do parasita chega, poderemos aumentar a resposta imunitária e em vez que se eliminar metade dos parasitas no fígado poderemos eliminá-los todos e não chega a haver infeção", explica Maria Mota. Nos modelos animais que a equipa testou é exatamente isso que acontece.

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