Onda da Nazaré deve ser "gancho" para promover Portugal

O presidente da consultora Ivity Brand Corp, Carlos Coelho, considerou hoje que a onda gigante da Nazaré deve ser um "gancho" para promover Portugal, sem que isso menospreze a restante oferta turística do país.

"Se me perguntar se eu acho que a onda grande seria um gancho para promover Portugal, eu não tenho dúvida que sim, como Fátima é, porque os países promovem-se por várias coisas e pelas coisas mais excecionais e isso não é despromover o Algarve, nem nenhum outro local", afirmou o presidente da consultora internacional de criação, inovação e gestão de marcas.

Em declarações à agência Lusa, praticamente um mês depois de o brasileiro Carlos Burle ter surfado uma onda passível de ter superado o recorde do havaiano Garret McNamara, Carlos Coelho sublinhou a importância mediática destas ondas gigantes, distinguindo a Nazaré dos restantes destinos de surf lusos.

"Do ponto de vista da comunicação, a Nazaré deverá ser a nossa bandeira, por exemplo, o Havai é um destino de surf, conhecido pelas suas grandes ondas, mas a maioria das pessoas também não as consegue surfar. Não vejo incompatibilidade na promoção global do surf em Portugal através da Nazaré, é uma questão de estratégia de comunicação, porque é menos impactante uma onda de Peniche ou Ribeira d'Ilhas do que a Nazaré", explicou.

O especialista em marcas reiterou que "pelas características endógenas do país, Portugal tem as melhores ondas nas águas mais quentes da Europa, sendo o único país onde se consegue surfar todos os dias, a uma distância muito curta", fatores mais do que suficientes para fazer do país um destino da surf.

"Temos de distinguir as modalidades, a onda gigante da Nazaré é só para os grandes craques, não é acessível a 99,999 por cento dos surfistas, mas acontece que o canhão da Nazaré foi o desencadeador dessa marca, aquele que foi capaz de colocar as nossas ondas em todos os meios de comunicação social do mundo. Pode ser mais realista promover os outros, mas temos de ter em atenção de que os outros são ali ao lado. Para quem vier fazer surf, 50 ou 100 quilómetros é ali ao lado, julgo que nem se coloca este problema", referiu.

Carlos Coelho reconheceu que as imagens das investidas de McNamara e Burle consolidaram a Nazaré como um destino de ondas gigantes e chamaram a atenção para "maravilhas da natureza, em que não é preciso fazer nada a não ser não deixar estragar", que se juntaram a todas as outras "qualidades que o país tem", casos da gastronomia, a hospitalidade e as acessibilidades, mas cuja promoção ainda não está a ser a adequada.

"Acho que está a ser mais bem trabalhado, mas porque era mesmo muito mau. A onda da Nazaré é que faz acreditar neste potencial, porque, até ter surgido o projeto do McNamara, não havia nenhum projeto ligado ao surf na Nazaré, nem sequer ligado ao mar, onde o mar só significava morte e pobreza. A nossa ligação ao mar não são pessoas bonitas a tirar partido das ondas, são gente pobre, que vai para o mar, sem saber se voltam, e para trazer o melhor peixe do mundo mas vão vendê-lo muito barato. Esta é uma imagem que ainda está enraizada", lamentou.

No entanto, o presidente da presidente da Ivity Brand Corp lamentou que sobre o património "de todos", como são as ondas, na prática "ninguém seja responsável", nem as autarquias locais, nem as regiões de turismo, nem mesmo o Governo.

"É uma reunião que termina sempre da mesma forma, com toda a gente a concordar que é importante mas sem que ninguém faça nada, porque há muitos organismos com interesse em fazer a promoção mas nenhum tem realmente possibilidade de o fazer", frisou.

Para Carlos Coelho, o incidente ocorrido com a brasileira Maya Gabeira, que fraturou o perónio direito e ficou inanimada numa onda nazarena, tornou as ondas da Nazaré "mais desafiantes", fazendo "parte da mística do sítio".

"O Everest é conhecido pela sua altitude, pelos que conseguiram escalá-lo e pelos que lá ficaram. Estamos a falar de um fenómeno da natureza... há 'tsunamis' menos poderosos do que aquilo, o canhão da Nazaré é um monstro. Não é normal ninguém morrer em Supertubos, mas ali não estamos a falar de ondas de três metros, na Nazaré é um milagre eles conseguirem sair da onda", concluiu.

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