Exclusivo Numa América povoada de gigantes, passeou-se a escrita mordaz de Mark Twain

A segunda metade do século XIX norte-americano povoou-se com os relatos da descoberta de gigantes petrificados. Testemunhas de um tempo mítico que serviu de pretexto para inúmeros embustes. Entre as farsas, uma ganhou estatuto nacional e a atenção do escritor Mark Twain.

A 4 de outubro de 1862, o jovem repórter Samuel Langhorne Clemens relatava nas páginas do Territorial Enterprise, periódico de Virginia City, Nevada, a desconcertante história da descoberta de um exemplar de homem petrificado. Clemens adiantava que a "múmia de pedra encontrada há algum tempo nas montanhas ao sul de Gravelly Ford [Califórnia], era perfeita, sem exceção da perna esquerda que, evidentemente, foi de madeira durante a vida do dono".

A partir da nota de Samuel Clemens, a notícia circulou por diversos jornais sem alusão ao tom sardónico da peça. Clemens, nascido em 1835, no Estado do Missouri, não escrevia com o seu nome de batismo, antes com aquele que o notabilizou nas letras norte-americanas, Mark Twain, senhor de uma sátira pertinente. O homem petrificado de Twain expunha, com humor, um tempo americano, a segunda metade do século XIX, prolífero em embustes e ilusórias descobertas de gigantes preservados em pedra.

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