Negociação prossegue a poucas horas do arranque da cimeira

Documento que os dirigentes mundiais começam a discutir amanhã ainda não está fechado

A maratona das negociações e o adiamento na finalização do documento que os representantes de 193 países, incluindo 130 chefes de Estado e governantes, começam a discutir amanhã no Rio+20 é, para já, a marca da cimeira que em vésperas de arranque ainda não tem as suas metas definidas.

Incerteza e alguma desilusão dominam ali o ambiente, numa altura em que o Brasil se esforça ainda por conduzir a bom porto os trabalhos para a produção do documento "O futuro que queremos", um texto de 50 páginas que os dirigentes mundiais terão de aprovar até sexta-feira. Apesar de não estar ainda concluído - a maratona negocial deverá prolongar-se até à última - , as críticas ao conteúdo já chovem de todos os lados. Organizações ambientalistas presentes na cimeira, como a Greenpeace ou a Quercus, e a própria União Europeia consideram o texto em cima da mesa "pouco ambicioso", o que acaba por ser um resultado direto "da busca de consensos, em detrimento dos compromissos", como afirmou ao DN Francisco Ferreira, o representa da Quercus na cimeira.

Em causa estão sobretudo divergências entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento sobre os custos para cada uma das partes sobre os objetivos de desenvolvimento sustentável e sobre os fundos necessários para a sua concretização.

Este impasse, que resulta para já na ausência de compromissos concretos no documento em discussão, poderá inviabilizar, afinal, o que esta cimeira se propunha: relançar o planeta no caminho traçado há duas décadas pelo Rio 92, permitindo um uso partilhado dos recursos dentro dos limites do planeta, que não fique subordinado ao primado da economia mas à ideia de desenvolvimento sustentável, combatendo a probreza e promovendo a qualidade de vida para todas as populações do mundo.

Resta saber até onde os dirigentes mundiais estão dispostos a ir nesta caminhada.

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