Neandertais desapareceram muito antes do que se pensava

O Homem de Neandertal pode ter desaparecido da Península Ibérica 10 a 15 mil anos antes do que se pensava. Se as novas datações estiverem corretas, ameaçam a teoria de que os neandertais e o homem moderno coexistiram durante alguns milhares de anos.

Um novo estudo, publicado ontem na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, por investigadores espanhóis, australianos e britânicos, chegou à conclusão de que alguns restos arqueológicos encontrados em Espanha terão sido mal datados.

Os investigadores reexaminaram alguns ossos encontrados no Sul de Espanha, usando novos métodos para limpar os restos de qualquer contaminação antes da datação por radiocarbono (ou carbono 14). Concluíram que os mais recentes terão entre 45 e 50 mil anos, ou seja, são 10 a 15 mil anos mais antigos do que se pensava.

Se estes estudo tiver razão, a teoria de que os últimos neandertais encontraram refúgio na península e por aqui ficaram tempo suficiente para ver chegar os primeiros Homo sapiens deixa de fazer sentido, já que os humanos só chegaram à região há 42 mil anos.

A coexistência e a reprodução das duas espécies é uma das explicações apontadas para europeus e asiáticos terem uma pequena percentagem de ADN de neandertal. Outra é a existência de um antepassado comum, ainda antes de saírem de África, que pode ter vivido no norte do continente.

O estudo não exclui, no entanto, a possibilidade de o clima quente da Península Ibérica ter degradado mais rapidamente uma proteína que é fundamental na datação com este método. E acrescentam que é necessário submeter todos os ossos encontrados a novos testes.

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