Missão Rosetta em contagem decrescente

Primeira aterragem de sempre num cometa está marcada para a próxima quarta-feira, quando foram 16.00 em Lisboa

A cinco dias da primeira aterragem de sempre num cometa, o Tchourioumov-Guérassimenko, a agência espacial europeia ESA anunciou hoje o calendário para a ousada missão, que se iniciou há 10 anos com o lançamento da sonda Rosetta.

No centro dos acontecimentos vai estar o Philae, o módulo de aterragem da Rosetta, que transporta cem quilos de instrumentação para estudar a superfície do astro e que, antes disso, tem pela frente sete horas de um voo em queda livre até chegar ao destino.

Na noite de 11 de novembro, a próxima terça-feira, os controladores da missão no ESOC, o centro de controlo da ESA, em Darmsadt, na Alemanha, farão os acertos finais de voo e na manhã de dia 12, com a Rosetta posicionada a 20 quilómetros da superfície do Tchourioumov-Guérassimenko, o Philae iniciará a sua queda livre em direção ao objetivo. Se tudo correr como está previsto, deverá pousar ­ e agarrar-se ao chão, com auxílio de ganchos - na quarta-feira, quando forem 16.00 (hora de Lisboa).

"Estamos muito bem preparados para a separação [do módulo Philae]", afirmou hoje Sylvain Lodiot, o chefe de operações de voo da ESA. "É um momento um pouco mágico", disse, não escondendo, no entanto, que "não é tarefa simples".

Se tudo correr como esperado, o Philae aterra, então, na quarta-feira, sem nenhuma beliscadura, já com alguns dos instrumentos de leitura de dados a funcionar, incluindo uma câmara que há de fotografar a sonda Rosetta na sua órbita e também o local de aterragem a partir de diferentes altitudes.

Há, no entanto, dificuldades pela frente. Embora o local de aterragem tenha obedecido a uma escolha criteriosa, o terreno tem muitas rochas e algumas incógnitas. Philippe Gaudon, o chefe da missão Rosetta na agência espacial francesa, não esconde que há uma margem para que as coisas possam correr mal: uma rocha no sítio errado, um posicionamento incorreto, uma dessincronização...

Contas feitas, segundo Gaudon, as probabilidades de êxito completo são de 70%. Mas se as coisas penderem para aí, vai ser possível pela primeira vez estudar um cometa lá mesmo no sítio, sobre o chão do seu núcleo rochoso.

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