Mesmo de lado, o Philae está recolher dados 'espetaculares'

O robô funciona bem, mas a ESA não sabe bem onde ele está. Pedro Lacerda é um dos astrofísicos que vão estudar os seus dados

Aterrou não uma mas três vezes, parece estar de lado, com um dos três pés no ar, e a Agência Espacial Europeia (ESA) não sabe ainda onde ele se encontra. Mas, apesar de todos os contratempos, o módulo de aterragem da Rosetta está a funcionar às mil maravilhas, a recolher dados e fotos (como as de cima) e a enviá-los sem problemas para a Terra, através da sonda que se mantém na órbita do cometa Churyumov-Gerasimenko.

"Podemos dizer que temos um módulo de aterragem feliz", brincou Paolo Ferri, o chefe de operações da missão, na conferência de imprensa de ontem, no ESOC, na qual os responsáveis da ESA fizeram o ponto da situação do dia.

As três aterragens foram um percalço, mas o desfecho acabou por ser na mesma histórico, e o Philae dispõe de cerca de 50 horas, desde que tocou pela terceira vez o solo do Churyumov-Gerasimenko e se aquietou, para recolher dados sobre o ambiente em que se encontra. Pelos vistos está a fazê-lo sem impedimentos, e os responsáveis da ESA mostram-se satisfeitos.

"A inflação de aterragens", como lhe chamou na brincadeira Stephan Ulamec, o responsável pela operação no centro de controlo da ESA, deveu-se a dois problemas técnicos: o jato do robô, que deveria empurrá-lo no momento final, não funcionou e os arpões que o agarrariam ao chão não dispararam.

Por isso, "o Philae ressaltou depois de ter tocado pela primeira vez no solo e esteve durante meia hora a 45 minutos no ar, tendo chegado a elevar-se até um quilómetro de altitude", explica ao DN o astrofísico português Pedro Lacerda, que dirige há um ano no Instituto Max Planck para a Investigação do Sistema Solar, em Göttingen, na Alemanha, um grupo de investigação para analisar os dados da missão Rosetta.

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