Lua tem mais água interior do que se pensava até hoje

Nova análise das rochas lunares trazidas pelos  astronautas das missões 'Apollo' permitiu fazer a descoberta

Os 12 homens que caminharam sobre a sua superfície encontraram um mundo árido e durante mais de 40 anos pensou-se que a Lua não tinha pinga de água. Era isso que mostrava também o estudo das amostras de rochas trazidas pelos astronautas das missões Apollo. Mas, afinal, não é assim. Há mesmo água nas rochas lunares e talvez também no próprio interior do satélite natural da Terra. O estudo que o indica foi publicado ontem na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

Durante anos, diferentes grupos de cientistas estudaram as amostras trazidas da Lua pelos astronautas americanos de 1969 a 1972, mas as técnicas de análise de que dispunham não permitiram detectar indícios de água. O primeiro sinal positivo só chegou em 2008, quando um grupo de investigadores utilizou uma nova técnica de espectrometria de massa e detectou água em rochas vítreas que estavam entre as amostras.

Agora uma outra equipa, esta do laboratório do Carnegie Institution's Geophysical Laboratory, foi mais longe e vem dizer que há cem vezes mais água naquelas rochas lunares do que se pensava.

A água foi identificada em amostras de apatite e isso pode indicar que haverá também água no interior da Lua.

"É gratificante ver esta prova da existência de água", sublinhou o cientista lunar Bradley Jolliff, citado pela Science Daily. "As concentrações são muito baixas e portanto eram indetectáveis até há pouco, mas a partir de agora podemos começar a pensar nas implicações [desta descoberta] e na origem da água no interior da Lua", adiantou.

A equipa coordenada pelo investigador Francis McCubbin estudou um tipo de amostras lunares ricas em potássio, fósforo, urânio e elementos raros na Terra. Para o fazer, combinou a técnica de espectrometria de massa aplicada em 2008 com um modelo para simular o arrefecimento da Lua durante o qual aqueles materiais cristalizaram. A conclusão é que há ali mais água do que se supunha. Isso indica também que a água já estava presente no magma da Lua quando esta se formou há 4,5 mil milhões de anos e, portanto, deve permanecer alguma lá dentro.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG