Portugueses controlam cães na ilha do Príncipe

Cães errantes sem dono podem transmitir doenças e são problema de saúde pública. Projeto "Educa-Cão" está no terreno

Ninguém sabe muito bem quantos cães existem na ilha do Príncipe, em São Tomé. Por cada família - a pequena ilha tem cerca de sete mil habitantes -, estima-se que existam três cães, mas estes são apenas os que têm dono. Depois há todos os outros: os que erram pelas ruas e às vezes atacam as pessoas, sobrevivendo do que encontram, incluindo galinhas ou ovos de tartaruga, bem como os assilvestrados, que se escondem floresta adentro e que concorrem pelas mesmas galinhas e ovos de tartaruga...

Mas se o seu número total é uma incógnita, uma certeza existe: estes cães podem transmitir doenças, desde a sarna a parasitas de vários tipos, e constituem um risco sério para a saúde pública. O projeto Educa-Cão, coordenado pela investigadora em comunicação de saúde pública Isabel de Santiago, em colaboração com a Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Lisboa, os Veterinários sem Fronteiras-Portugal e as autoridades locais, já foi para o terreno e fez o diagnóstico da situação. O próximo passo é intervir, o que significa vacinar e controlar a população de cães, fase do projeto que se inicia no dia 26 de janeiro.

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"Orrrderrr!", começou a campanha europeia

Através do YouTube, faz grande sucesso entre nós um florilégio de gritos de John Bercow - vocês sabem, o speaker do Parlamento britânico. O grito dele é só um, em crescendo, "order, orrderr, ORRRDERRR!", e essa palavra quer dizer o que parece. Aquele "ordem!" proclamada pelo presidente da Câmara dos Comuns demonstra a falta de autoridade de toda a gente vulgar que hoje se senta no Parlamento que iniciou a democracia na velha Europa. Ora, se o grito de Bercow diz muito mais do que parece, o nosso interesse por ele, através do YouTube, diz mais de nós do que de Bercow. E, acreditem, tudo isto tem que ver com a nossa vida, até com a vidinha, e com o mundo em que vivemos.

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Nesta semana, um país inteiro juntou-se solidariamente às mulheres andaluzas. Falo do nosso país vizinho, como é óbvio. A chegada ao poder do partido Vox foi a legitimação de um discurso e de uma postura sexistas que julgávamos já eliminadas aqui por estes lados. Pois não é assim. Se durante algumas décadas assistimos ao reforço dos direitos das mulheres, nos últimos anos, a ascensão de forças políticas conservadoras e sexistas mostrou o quão rápida pode ser a destruição de direitos que levaram anos a construir. Na Hungria, as autoridades acham que o lugar da mulher é em casa, na Polónia não podem vestir de preto para não serem confundidas com gente que acha que tem direitos, em Espanha passaram a categoria de segunda na Andaluzia. Os exemplos podiam ser mais extensos, os tempos que vivemos são estes. Mas há sempre quem não desista, e onde se escreve retrocesso nas instituições, soma-se resistência nas ruas.

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Ser ou não ser, eis a questão

De facto, desde o famoso "to be, or not to be" de Shakespeare que não se assistia a tão intenso dilema britânico. A confirmação do desacordo do Brexit e o chumbo da moção de censura a May agudizaram a imprevisibilidade do modo como o Reino Unido acordará desse mesmo desacordo. Uma das causas do Brexit terá sido certamente a corrente nacionalista, de base populista, com a qual a Europa em geral se debate. Mas não é a única causa. Como deverá a restante Europa reagir? Em primeiro lugar, com calma e serenidade. Em seguida, com muita atenção, pois invariavelmente o único ganho do erro resulta do que aprendemos com o mesmo. Imperativo é também que aprendamos a aprender em conjunto.