Olá Plutão, disse a New Horizons. Observação histórica a 12 500Km

A sonda da NASA New Horizons passou a 12 500 quilómetros de distância do planeta-anão para uma observação sem precedentes. Veja o vídeo com a explicação da missão a Plutão.

À hora certa, a sonda da Nasa New Horizons disse olá a Plutão, quando passou a exatamente 12 500 quilómetros de distância do planeta-anão. Eram 12.49 em Lisboa. Uma aproximação inédita que levou nove anos a ser concretizada, mas que terminou, pelo menos para já, com final feliz. Agora, é preciso esperar que a sonda envie o material recolhido, para que os cientistas consigam ter acesso a dados novos sobre a superfície e atmosfera de Plutão, ainda largamente desconhecidas.

O entusiasmo era visível esta manhã na Universidade John Hopkins, onde muitos esperaram para assistir ao momento histórico em que a sonda havia de passar junto de Plutão.

A NASA colocou entretanto, no Twitter, um resumo de uma simulação computorizada da aproximação da sonda.

Se tudo correr bem, os cientistas passarão a dispor de um manancial de novos dados e imagens para fazer um novo retrato de Plutão e de Caronte. Esta é uma nova página na história da exploração espacial.

Com a rápida aproximação da nave ao seu alvo nas últimas semanas, as novidades começaram a chegar antes mesmo do primeiro encontro imediato de uma nave terrestre com Plutão, marcado para hoje. À distância de oito milhões de quilómetros, e depois de sete, de cinco, de um... o planeta-anão na fronteira do sistema solar foi ganhando definição e o que ainda há um mês ou dois eram apenas brilhos e sombras na sua superfície ganharam novos significados potenciais: crateras de impacto ou de vulcões, montanhas e lagos gelados de hidrogénio. Mas estas são hipóteses de trabalho, pois só com os dados recolhidos hoje pela nave será possível tirar teimas e verificar o que realmente se observa naqueles longínquos mundos.

Para isso, a New Horizons foi equipada com um conjunto de sete instrumentos, que incluem três câmaras para captar imagens, uma delas telescópica para fazer imagens de alta resolução da superfície, dois espetrómetros, um sensor de poeiras e um radar.

Durante o curto encontro - a nave viaja à velocidade de 49 mil quilómetros por hora e segue agora para o interior da cintura de Kuyper, na fronteira do sistema solar -, vai ser possível fazer mapas térmicos da atmosfera e da superfície de Caronte e de Plutão, analisar a composição e a estrutura da enigmática atmosfera deste último, identificar padrões geológicos na superfície de ambos e também detetar e quantificar poeiras, de forma que aqueles dois pequenos mundos gelados vão surgir aos nossos olhos com um novo rosto.

Durante o momento crucial do voo, a nave não estará em comunicação com a Terra, porque não pode fazer as duas coisas ao mesmo tempo, e por isso terão de passar algumas horas até que os primeiros sinais da sonda cheguem ao centro de controlo da missão, na Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, onde a expectativa há de estar no máximo.

É suposto a nave realizar um "telefonema para casa" às 04:20 (21:20 em Lisboa), mas esse sinal enviado para a Terra irá demorar quase cinco horas a chegar aos cientistas. Por esse motivo, a NASA não vai fazer qualquer anúncio, quer a nave sobreviva ou não, até quase 13 horas depois do voo sobre o planeta, às 09:02 (02:02 de quarta-feira em Portugal). Já falta pouco.

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