Estudo confirma: é melhor estar-se certo do que feliz

Para observar os níveis de felicidade num casal, foi pedido a um neozelandês que concordasse com tudo o que a sua mulher dissesse. Decorridos doze dias, o homem acabou com a experiência pois estava a ser prejudicial para a sua saúde mental.

Segundo revela a revista Time, o estudo teve como finalidade compreender se, numa relação, é mais importante ter-se razão ou ser-se feliz. Psicólogos vocacionados para a terapia de casais observaram que, muitas vezes, para evitar conflitos os parceiros ponderam se vale a pena, ou não, discordar do outro.

Por outro lado, os investigadores, professores e médicos na Universidade de Auckland, Nova Zelândia, verificaram que alguns dos seus pacientes aumentaram o nível de stress na sua vida ao insistirem em estar certos.

Para realizar o estudo em causa, os investigadores procuraram um casal disposto a anotar a sua qualidade de vida numa escala de 1 a 10. Ao homem, que preferia ser feliz a estar certo, foi explicado o propósito da experiência e pedido que concordasse com tudo o que a sua mulher dissesse, mesmo que não concordasse de todo. À mulher foi apenas pedido que anotasse na escala a sua qualidade de vida.

Os resultados foram agora divulgados no British Medical Journal. A pontuação do homem passou de 7 para 3, enquanto a da mulher aumentou ligeiramente de 8 para 8.5. Isto antes de desistir de anotar a sua qualidade de vida na escala e, de acordo com o parceiro, se tornar extremamente crítica em relação à apatia do companheiro. Ao décimo segundo dia, o homem não aguentou mais, sentou-se com a parceira e contou-lhe tudo sobre a experiência.

"Este foi um verdadeiro trabalho de investigação onde esperávamos que ambas as partes fossem felizes devido a uma delas concordar com tudo o que a outra dizia", afirmou o Dr. Bruce Arroll, principal autor do estudo, que pensava poder encontrar "um metódo de pura felicidade conjugal" com este estudo.

A conclusão foi de que os seres humanos precisam de estar certos e de lhes ser reconhecida a razão, pelo menos durante algum tempo, para serem felizes. Foi ainda verificado que, quando é dado demasiado poder a uma pessoa, ela tende a assumir a posição alfa, "e como os chimpanzés, torna-se agressiva e perigosa".

Os investigadores olham para estes resultados com cautela pois desconhecem o historial de problemas do casal, mas o Dr. Arroll acredita que a questão da felicidade versus retidão, em tese, poderia ser estudada com uma amostra maior. No entanto, temem pelos resultados negativos nos cônjuges e nas suas relações.

A Time revela, ainda, que o casal cobaia deste estudo, cuja identidade não foi revelada, conseguiu reconciliar-se.

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