Eclipse solar mais longo do século inspira maus presságios

O eclipse solar mais longo do século XXI vai mergulhar quarta-feira no escuro a China e a Índia, os dois países mais populosos do mundo, onde os astrólogos prevêem guerras, atentados ou catástrofes naturais.

O fenómeno só será visível no Oriente, nomeadamente na Ásia e Pacífico Ocidental, com a faixa de visibilidade total a começar na Índia e a atravessar o Nepal, China e Pacífico, segundo dados do Observatório Astronómico de Lisboa.

O eclipse poderá ser observado por dois mil milhões de terrestres, um recorde na história da humanidade e "um momento muito perigoso no Universo", afirmou Raj Kumar Sharma, um astrólogo de Bombaim, capital económica indiana.

No Estado indiano de Gujarat (oeste), anoitecerá a partir das 06:23 locais, pouco depois do amanhecer, e logo a seguir no interior de um corredor de 15 mil quilómetros de comprimento e 200 quilómetros de largura que percorrerá a Índia, Nepal, Butão, Bangladesh, Birmânia e China até às ilhas meridionais japonesas de Ryukyu.

O Sol ficará completamente encoberto pela Lua durante seis minutos e 39 segundos numa zona pouco habitada do Pacífico, um recorde de duração que só será batido em 2132. A obscuridade durará menos tempo na Índia (três a quatro minutos) e na grande cidade chinesa de Xangai (cerca de cinco minutos).  

Tanto na Índia como na China, lendas e mitologias associam a este fenómeno astronómico maus presságios.

O astrólogo Sharma, que se vangloria de ter lido nos astros em 2008 a crise financeira mundial e a vitória presidencial de Barack Obama, previu "atentados perpetrados em território indiano pelo grupo (separatista de Caxemira) Jaish-e-Mohammad ou a Al-Qaida" e "uma terrível catástrofe natural" no sudeste asiático.

Pensa também que um dirigente político indiano poderá ser assassinado e que o exército norte-americano será ameaçado no Afeganistão, no Médio Oriente e na Europa.

Este astrólogo védico não esquece ainda o Irão e o Ocidente, entre os quais o aumento das tensões provocará uma intervenção militar norte-americana a partir de 09 de Setembro.

Nesse dia, "Saturno passa (da constelação) de Leão a Virgem" e "nos últimos 200 anos houve uma guerra sempre que Saturno entrou em Virgem", garantiu o astrólogo indiano.

A astrologia védica serve para quase tudo na Índia: da escolha do nome de um recém-nascido às decisões de comprar uma casa ou montar um negócio.

Em caso de eclipse, alguns hindus (80 por cento dos 1,17 mil milhões de indianos) acreditam que os demónios Rahu e ketu "engolem" o Sol, tornando os alimentos e a água impróprios para consumo.

Na China imperial, os eclipses eram anunciadores de catástrofes naturais ou da morte do imperador e essas crenças e superstições não desapareceram.

"A probabilidade de que ocorram violências ou uma guerra por ocasião de um eclipse total é de 95 por cento", segundo o site chinês na Internet Baidu.com.

Por outro lado, a aproximação do eclipse dinamizou a actividade comercial e turística no extremo oriente, a região geográfica ideal para fruir deste fenómeno astronómico.

O Parque da Escultura de Xangai, o melhor posto de observação da cidade, anunciou ter vendido 2.000 bilhetes de entrada para 22 de Julho, com óculos especiais e t-shirts comemorativas, estando os hotéis reservados há meses por milhares de chineses, japoneses, norte-americanos e europeus.

Na Índia, a agência Cox and Kings fretou um Boeing 737-700 que descolará de Nova deli antes do amanhecer, "interceptará o eclipse total a 41.000 pés (12.500 metros) de altitude e voará para leste até ao Estado de Bihar.

Os 21 lugares do avião do lado do Sol nascente foram vendidos a 1.200 euros.

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