Descoberto templo romano ao Sol, à Lua e ao Oceano, que estava perdido

Chegou-se a pensar que era lenda. Não era. Reunidas todas as pistas e feitas algumas prospeções que não deram fruto, o arqueólogo Cardim Ribeiro acabou por encontrar o que há muito procurava. E com o santuário vieram surpresas

Debruçados no chão, os arqueólogos raspam a terra com cuidado, junto da parede que o seu trabalho já pôs a descoberto. Aquela é uma tarefa lenta e rigorosa, cada fragmento de rocha, mesmo pequeno, pode ser vital para reconstituir lápides com inscrições romanas ali enterradas: "o livro", ainda incompleto, que há de contar a história definitiva deste sítio junto à falésia, perto da Praia das Maçãs, Sintra.

Ali, descobriu o arqueólogo Cardim Ribeiro, ergueu-se em tempos um dos mais importantes santuários do Império Romano, consagrado ao Sol à Lua e ao Oceano, cuja localização estava há muito perdida, e que muitos julgavam até que fosse apenas lenda. Não era. Com a descoberta do templo, em 2008, vieram outros achados, alguns surpreendentes, que "tornam este local único e de grande alcance histórico", assegura Cardim Ribeiro ao DN.

A descoberta logo no primeiro ano de escavações de um ribat, uma mesquita feita de uma série de celas e, numa delas, de um mirhab, um nicho para as orações, orientado para Meca, "foi uma surpresa", conta o arqueólogo. Com toda a probabilidade, não será a única. Há muito mais História debaixo daquelas areias e do mar de chorões que cobre as dunas.

Para já, as escavações incidem "na periferia do santuário". Uma prospeção geofísica feita em agosto de 2011 indica que o edifício principal do templo romano, retangular e de grande dimensão, está ali enterrado, um pouco atrás do local onde agora decorrem os trabalhos. "Este sítio é um ovo de História, que atravessa diferentes eras civilizacionais e cultos, ao longo de mais de um milénio", resume Cardim Ribeiro.

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