Ártico bate recorde mínimo de gelo

Desde 1979, quando os satélites iniciaram as medições, que o Ártico não tinha uma superfície gelada tão pequena. O recorde foi assinalado a 16 deste mês, dia em que as medições apontaram 3,41 milhões de quilómetros de gelo, menos 18% do que o registado a 18 de setembro de 2007, data do recorde anterior.

De acordo com o jornal espanhol El País, que cita um comunicado do Centro Nacional de Registo da Neve e Gelo (NSIDC em inglês), organismo europeu responsável pelas medições, a diferença entre o mínimo anteriormente registado é de 760 quilómetros quadrados. O degelo, referem os cientistas, estará relacionado com o aquecimento global.

Segundo Walt Meier, investigador do NSIDC, em declarações ao jornal espanhol, os valores detetados nas medições de 16 de setembro "foram uma surpresa porque o recorde de 2007 já estava 22% abaixo do anterior. Agora temos metade da superfície gelada registada há poucas décadas".

A velocidade do degelo tem surpreendido os especialistas. E apesar não existem muitos dados disponíveis, estes acreditam que a camada gelada é cada vez mais fina. "Acreditamos que a camada de gelo está 50% mais fina".

A emissão de CO2 em muito tem contribuído para as alterações climáticas, com a destruição da camada de ozono. Muitos países assinaram compromissos para a redução das emissões, mas a meta estabelecida tem sido difícil de alcançar. Prevê-se que nos próximos anos as temperaturas médias venham a aumentar. Efeitos que já se vão sentindo.

Em julho deste ano, Portugal tinha 80% do território nacional em seca severa ou extrema e as bacias hidrográficas estavam abaixo do habitual, resultado de um inverno com pouca chuva. Um cenário idêntico ao vivido em Espanha e que levou o país vizinho a reduzir o caudal o Rio Tejo, partilhado pelos dois países.

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