Identificada atividade de proteína que destrói neurónios

Um grupo de cientistas, em que participam portugueses, identificou características de uma proteína que contribuem para vários problemas de doenças como Alzheimer, Parkinson ou Huntington, "abrindo uma porta" para a descoberta de fármacos para o seu tratamento.

"Ao termos esta fotografia, esta informação sobre a estrutura desta enzima podemos desenvolver novas moléculas que interfiram com a sua atividade e tentar intervir terapeuticamente nestas doenças" neurodegenerativas, nomeadamente em Alzheimer, Parkinson e Huntington, disse hoje à agência Lusa Tiago Outeiro, investigador do Instituto de Medicina Molecular (IMM).

O trabalho de investigação, desenvolvido por uma equipa que inclui Sara Amaral do IMM e também cientistas de universidades britânicas e alemãs, identificou a estrutura da quinurenina 3-monoxigenase (KMO), uma proteína envolvida na destruição de neurónios em várias doenças ligadas ao envelhecimento.

A atividade de uma parte da proteína, que normalmente existe no corpo humano, fica alterada nestas doenças e gera moléculas tóxicas que contribuem para problemas como a demência, no caso de Alzheimer.

Como resultado deste trabalho, publicado pela revista Nature, é possível seguir para o próximo passo, ou seja, a definição de moléculas que afetem a parte da proteína que contribui para a destruição neuronal.

Ao conhecer a estrutura da proteína, "vamos ser capazes de desenhar moléculas que atuem na zona da proteína que tem de ser inibida e isso só vai ser possível a partir de agora", salientou Tiago Outeiro do IMM, da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa.

"Queremos prevenir a morte neuronal que causa as doenças", resumiu.

O investigador defendeu que, tal como em outras doenças no passado, não deve pensar-se que estas patologias serão tratadas com um só fármaco. Ao contrário, referiu, serão necessários "cocktails" de medicamentos, para tratar diferentes aspetos das doenças.

"Este trabalho permite abrir uma porta em que possamos descobrir moléculas que possam um dia fazer parte desse cocktail de fármacos utilizado para o tratamento destas doenças", acrescentou.

O trabalho foi também desenvolvido por investigadores das universidades de Manchester e Leicester, no Reino Unido, e do Centro Médico Goettingen, na Alemanha.

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