Há quem corra mundo atrás dos eclipses. Alguns são portugueses

Hoje há eclipse, que é visto como parcial em todo o território português. Astrónomos promovem observações em vários locais e especialistas recomendam cuidados

As ilhas Faroé, 300 quilómetros acima da Escócia, e as Svalbard, mais a norte, já no Ártico, são os locais (além do polo Norte) onde hoje vai ver-se o eclipse total do Sol. Os dois arquipélagos ficam dentro da faixa de sombra com mais de 400 quilómetros de largura que a Lua projeta esta manhã durante escassos minutos na Terra, mas o problema é que estão fora de mão e são tão diminutos que "já devem ter a lotação esgotada há muito", diz a brincar o astrónomo Máximo Ferreira. Por isso, por causa dos compromissos com o Centro Ciência Viva que dirige em Constância e porque também seria caro, desta vez não foi atrás do eclipse total, como aconteceu tantas outras vezes nos últimos 25 anos.

Hoje Máximo Ferreira vai estar em Teixoso, Covilhã, no Campus de Ciência da Quinta de Santa Iria, onde coordena entre as 08.00 e 10.00, uma observação aberta ao público do eclipse solar, que em Portugal se vê como parcial, entre 69% a 77% na fase máxima.

Nas suas andanças de observador dos astros e de divulgador da astronomia, Máximo Ferreira já quase perdeu a conta aos eclipses totais do Sol que viu ao vivo. Para o fazer, atravessou mais do que uma vez o Atlântico, foi a África, esteve no deserto - "no Egito, junto à fronteira com a Líbia, hoje já não daria", diz - e numa ocasião, na Hungria, em 1999, até andou atrás do bom tempo quase ao minuto para conseguir ver e fotografar o momento do eclipse total.

"Caçador de eclipses? Sim, posso dizer que sou", diz satisfeito. E o número dos que viu confirma-o: ao todo, tem no currículo oito eclipses solares totais e um anular, e para este, que ocorreu em 2005, só precisou de ir até Bragança. "Nas primeiras vezes fui para fazer fotografias e para aplicar os conhecimentos, mas depois comecei a ir pela emoção, que é quase indescritível. Aquilo vicia", garante.

Pedro Ré, biólogo, professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL) e astrónomo amador é da mesma opinião. "Basta ver um eclipse solar total para ficar viciado", confirma.

Ver mais na edição impressa ou no e-paper do DN

Exclusivos

Premium

Ferreira Fernandes

A angústia de um espanhol no momento do referendo

Fernando Rosales, vou começar a inventá-lo, nasceu em Saucelle, numa margem do rio Douro. Se fosse na outra, seria português. Assim, é espanhol. Prossigo a invenção, verdadeira: era garoto, os seus pais levaram-no de férias a Barcelona. Foram ver um parque. Logo ficou com um daqueles nomes que se transformam no trenó Rosebud das nossas vidas: Parque Güell. Na verdade, saberia só mais tarde, era Barcelona, toda ela.

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

Dos pobres também reza a história

Já era tempo de a humanidade começar a atuar sem ideias preconcebidas sobre como erradicar a pobreza. A atribuição do Prémio Nobel da Economia esta semana a Esther Duflo, ao seu marido Abhijit Vinaayak Banerjee e a Michael Kremer, pela sua abordagem para reduzir a pobreza global, parece indicar que estamos finalmente nesse caminho. Logo à partida, esta escolha reforça a noção de que a pobreza é mesmo um problema global e que deve ser assumido como tal. Em seguida, ilustra a validade do experimentalismo na abordagem que se quer cada vez mais científica às questões económico-sociais. Por último, pela análise que os laureados têm feito de questões específicas e precisas, temos a demonstração da importância das políticas económico-financeiras orientadas para as pessoas.

Premium

Marisa Matias

A invasão ainda não acabou

Há uma semana fomos confrontados com a invasão de territórios curdos no norte da Síria por parte de forças militares turcas. Os Estados Unidos retiraram as suas tropas, na sequência da inenarrável declaração de Trump sobre a falta de apoio dos curdos na Normandia, e as populações de Rojava viram-se, uma vez mais, sob ataque. As tentativas sucessivas de genocídio e de eliminação cultural do povo curdo por parte da Turquia não é, infelizmente, uma novidade, mas não é por repetir-se que se deve naturalizar e abandonar as nossas preocupações.