Guerra milenar entre homens e lobos, ou um mundo que está a acabar

Jornalista Ricardo J. Rodrigues lança hoje em Montalegre o livro Malditos, Histórias de homens e lobos. Lê-se de um fôlego.

Chama-se Urzeira. Ou chamava-se, porque Urzeira, a loba selvagem com a qual sofremos as agonias do cativeiro forçado para curar uma pata partida e depois a errância solitária, decretada pela rejeição da antiga alcateia, já morreu. A sua história triste, mas épica também - é de crer que tenha deixado descendência para os lados da serra da Boalhosa, Paredes de Coura -, abre "Malditos, histórias de homens e de lobos", o livro que Ricardo J. Rodrigues lança hoje em Montalegre, terra de lobos e de pastores.

Não podia ser outro o local escolhido para a apresentação. Afinal, este é um livro que conta uma guerra milenar, feita de predadores e de presas, de uivos e de terrores, de serranias e de cabeças de gado tresmalhadas, de lobos e de pastores. Estes dois, exércitos hoje exangues, continuam, ainda assim, a travar uma guerra surda herdada da noite dos tempos.

"Malditos" fala desse conflito entre homens e animais, do esgotamento dos dois exércitos e também da esperança. Apesar de tudo, quem sabe, há talvez futuro para as alcateias e para um modo de vida nos campos do interior do país.

Montalegre, encravada entre montanhas, quase junto à fronteira a norte, é um dos últimos redutos das cerca de seis dezenas de alcateias que ainda existem no território português - são uns escassos 300 lobos-ibéricos, que se distribuem pelo Gerês e Montesinho e por uma outra zona a sul do Douro, essa muito restrita e praticamente isolada por vias rápidas.

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