Genoma do neandertal revelará os seus segredos

Pela primeira vez, cientistas europeus e americanos poderão vir a comparar sequências do ADN do neandertal extinto há cerca de 30 mil anos com as do homem dos dias de hoje,  do chimpanzé e de outros neandertais com menos tempo de existência à face da Terra.

Um grupo de geneticistas e antropólogos europeus e americanos conseguiram uma primeira versão da sequência do genoma do homem de Neandertal, o mais próximo ancestral do homem moderno, segundo uma comunicação apresentada ontem em Chicago, EUA.

A sequência completa do genoma do neandertal virá dar esclarecimentos sobre a evolução deste hominídeo extinto há cerca de 30 mil anos e a do homem de hoje.

Os trabalhos deverão igualmente ajudar a identificar as mudanças genéticas que permitiram aos primeiros humanos deixar África para rapidamente se expandirem ao resto do mundo, num processo que teve início há cem mil anos.

Os antropólogos e geneticistas do Instituto Max Planck na Alemanha e da firma 454 Life Sciences Corp., uma filial do grupo suíço Roche, sedeado nos Estados Unidos, sequenciaram mais de mil milhões de fragmentos de ADN extraídos de três fósseis de neandertal encontrados na Croácia.

Para o conseguir, utilizaram novas técnicas elaboradas especialmente para este projecto conduzido pelo professor Svante Pääbo, director do departamento de Antropologia Genética do Instituto Max Planck.

Os dois grupos de investigadores sequenciaram mais de três mil milhões de pares de base do ADN do neandertal, permitindo produzir mais de 60% do genoma deste hominídeo.

Os trabalhos foram apresentados simultaneamente na Alemanha e em Chicago no primeiro dia da Conferência Anual da Associação Americana para a Promoção da Ciência.

As sequências de ADN podem ser comparadas com genomas já sequenciados do homem e do chimpanzé, o que pode dar uma primeira ideia da forma como o genoma do neandertal diferia dos homens de hoje.

O professor Pääbo formou um consórcio de investigadores do mundo inteiro para ajudarem a analisar o genoma do neandertal, cujos resultados serão publicados este ano.

Os investigadores vão debruçar-se sobre um grande numérico de genes que apresentam interesse particular na evolução recente do humano, cujo gene FOXP2 desempenha um papel importante na palavra e linguagem do homem de hoje.

Os investigadores vão examinar também os genes taulocus e microcephalin-1 implicados, respectivamente, no envelhecimento do cérebro e seu desenvolvimento. Variantes destes dois genes encontrados entre os homens modernos tinham levado a pensar que foram herdados do neandertal.

Os resultados preliminares indicam que o neandertal contribuiu muito pouco para as variações genéticas da população humana contemporânea.

A maioria das sequências é proveniente de ossos fossilizados do neandertal encontrados na caverna de Vindija, na Croácia.

Para verificar se as características genéticas deste neandertal são do mesmo tipo de outros neandertais, os investigadores sequenciaram igualmente vários milhões e pares de base do ADN de outros fósseis neandertais.

O professor Javier Fortea de Oviedo, Espanha, obteve fragmentos de ossos fossilizados de um neandertal com 43 mil anos descobertos em El Sidron, enquanto Lubov Golovanova de Sampetersburgo, na Rússia, sequenciou pares de base ADN, igualmente de ossos fossilizados de há 60 mil ou 70 mil anos do Cáucaso.

Os investigadores do Instituto Max Planck sequenciaram em 2008 a totalidade do genoma mitocondrial (ADN transmitido pela mãe), de um neandertal com 38 mil anos, uma etapa da sequenciação da totalidade do genoma deste hominídeo.

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