Cocaína e heroína alteram química do cérebro como Parkinson

Investigadores de Coimbra fizeram testes em células neuronais de ratinhos. Corpo crescente de estudos verifica efeitos negativos de drogas

A cocaína e a heroína induzem alterações moleculares nas células neuronais que são semelhantes às que se observam em doenças neurodegenerativas, como a de Parkinson. A descoberta foi feita pela equipa de Catarina Resende de Oliveira, do Centro de Neurociências da Universidade de Coimbra, e vem juntar-se a um corpo crescente de estudos que apontam para que as drogas como a cocaína ou a heroína, mas também a canábis, mais conhecida por marijuana, causam alterações de longo prazo em determinadas células e estruturas no cérebro.

A investigação da equipa de Coimbra foi feita em células de ratinhos, no laboratório, e a fase seguinte, os estudos em animais, ou in vivo, já deveriam estar em marcha, mas a falta de de financiamento inviabilizou a sua continuação. "Concorremos a um projeto nesse sentido, mas não conseguimos verba", explica Catarina Oliveira ao DN. "Vamos esperar pelo próximo concurso [da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, CCT], que ainda não sabemos quando abrirá", diz a investigadora.

A verificação daquelas semelhanças moleculares nos neurónios de ratinhos, tanto pelo efeito daquelas duas drogas, como pelas consequências neurodegenerativas da doença de Parkinson já eram, por seu turno, a sequência de anteriores estudos da equipa portuguesa sobre a ação da cocaína e da heroína nas células cerebrais de ratinhos. Com esses trabalhos anteriores a equipa de Catarina Oliveira tinha demonstrado que aquelas duas drogas induzem a degenerescência dos neurónios e até a morte celular.

Estes estudos integram um corpo crescente de investigações cujos dados mostram com uma nova clareza que o consumo de substâncias psicoativas deixa marcas perenes, talvez definitivas, nas células de algumas estruturas cerebrais.

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