Cientistas portugueses que estudam as alterações climáticas

Filipe Duarte Santos lançou estudos no País e o seu grupo vai na segunda geração. Pedro Viterbo trabalhou no relatório do IPCC

Não se falava ainda de alterações climáticas em Portugal quando o físico Filipe Duarte Santos foi para a Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos, em 1980, em licença sabática. Isso foi decisivo para os estudos que quase 20 anos depois lançou por cá, nesta área, porque presenciou então um acalorado debate científico. Uns antecipavam uma nova era glaciar devido à acumulação de partículas na atmosfera, outros o aquecimento do planeta por causa da concentração crescente de gases com efeito de estufa, provocada pela ação humana. "Havia lá um grupo que trabalhava nisto e esta última ideia fez-me sentido", conta Filipe Duarte Santos.

Em 1999, fundou na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL) um pequeno grupo de investigação que cresceu e tem hoje mais de 30 investigadores e uma série de projetos nacionais e internacionais entre mãos, que olham para o futuro das alterações climáticas e para as possíveis soluções de forma a poder minimizar os seus estragos. Filipe Duarte Santos, de alguma forma, encarna a história destes estudos em Portugal.

Engenheiro do ambiente, Pedro Garrett começou por estudar, em 2001, na Universidade Nova de Lisboa, as doenças transmitidas por mosquitos e isso conduziu-o naturalmente às alterações climáticas - num mundo mais quente, estes insetos estão a ampliar a sua distribuição geográfica e alguns já estão, por exemplo, na Madeira. No CCIAM desde 2007, Pedro Garrett já participou em vários projetos.

O diretor do Departamento de Meteorologia e Geofísica do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), Pedro Viterbo, não se lembra de viver um período tão esgotante como aquele, entre o final de 2011 e maio de 2013. Durante esses 21 meses ele foi um dos revisores científicos do 5º relatório do IPCC, o Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas das Nações Unidas, divulgado este ano.

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