Plástico tem duas vezes a superfície da França

Pequenos pedaços de plástico em quantidades tais que "podiam ser recolhidas à mão" e uma superfície de poluição com até "duas vezes a dimensão da França" foram as descobertas da expedição científica francesa ao 'continente de plástico' no Atlântico Norte.

"Estivemos em zonas com fortes concentrações de micropartículas de plástico", afirmou à AFP o promotor do projeto, Patrick Deixonne, depois do regresso da missão.

Este já tinha dirigido uma expedição similar em 2013 ao Pacífico.

Desta vez, a missão de três semanas no Atlântico Norte, começada no início de maio, a partir da ilha francesa Martinica, num 'catamaran' de 18 metros, beneficiou dos contributos do centro francês de análises e previsões oceânicas Mercator Océan.

"Isto permitiu-nos irmos dirigidos de forma muito precisa às zonas com fortes concentrações de plástico, impressionantes pela quantidade de micro plástico que encontrámos no local", disse Patrick Deixonne.

"Há dois tipos de resíduos", disse, desde logo os volumosos, como garrafas e bidões, que flutuam. "Se tivéssemos tempo de os recolher, enchíamos o barco num dia", acrescentou.

E, depois, há "a parte imersa do icebergue", as micropartículas, cuja dimensão pode ir da de uma unha à de nano-partículas apenas visíveis no microscópio. Por norma, são recolhidas com a ajuda de uma rede especial para medir a sua concentração na água.

"Apanhei amostras de plástico, de água do mar, de algas, que vou analisar agora", disse, por seu lado, Alexandra Ter Halle, química no Centro Nacional de Investigação Científica (CNRS, na sigla em Francês), que integrou a equipa de nove pessoas a bordo do catamaran.

Milhões de toneladas de resíduos provenientes das costas e dos rios flutuam em todos os oceanos, nos cinco principais giros (sistema de rotação de correntes oceânicas), a força centrípeta que aspira, de forma lenta, os detritos para o centro.

Para realçar a sua importância, mesmo que estas zonas se assemelhem mais a uma 'sopa' que a uma superfície tangível, têm sido designadas como o '7.º continente'.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG