O primeiro ato sexual da História: de lado e com muita dificuldade

Investigação a fósseis com 380 milhões de anos mostra como os primeiros animais a desenvolverem órgãos sexuais tinham dificuldade em copular.

Os corpos fossilizados de peixes de água doce extintos há milhões de anos sugere que os primeiros atos sexuais eram manobras complicadas, com o macho a precisar de se colocar encostado à fêmea de forma a introduzir o seu "pénis" em forma de L entre duas placas genitais no seu corpo.

O jornal britânico The Guardian publica uma animação por computador que demonstra os movimentos:

Estes animais, de uma classe de peixes designados placodermos, viveram em lagos há mais de 380 milhões de anos. Foram encontrados fósseis na China, Estónia e Escócia, alguns com apenas alguns centímetros, que permitiram aos cientistas perceber, além da sua forma, as funções dos seus órgãos.

"Essencialmente, eles não conseguiam fazê-lo na posição de missionário", disse ao The Guardian John Long, professor de paleontologia na Universidade Flinders, em Adelaide (Austrália). "O primeiro ato de cópula foi feiro de lado, estilo 'square dance'", descreveu o cientista, que assina a descoberta em conjunto com Zerina Johanson, investigadora do Museu de História Natural de Londres.

Nestes animais, os órgãos genitais são longos - cobrem quase toda a extensão do corpo do peixe - e extremamente rígidos, existindo ainda dois pequenos "braços" na parte superior. "Durante mais de 100 anos debatemo-nos com a questão de para que serviam estes pequenos braços. Agora percebemos que, quando o órgão sexual é rígido e está fixo em todo o corpo, os pequenos braços são muito úteis para ajudar a ligar o macho e a fêmea", afirma o cientista.

"O macho consegue assim colocar o seu órgão sexual em forma de L na posição correta para se ligar aos genitais da fêmea, que são como placas de ralar queijo - muito rugosas - pelo que atuam como Velcro, prendendo o órgão masculino em posição até à transferência de esperma", conclui John Long.

Os pormenores desta decoberta estão publicados na revista Nature

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