Kofi Annan pede "mensagem forte" no acordo pós-Quioto

O ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan pediu hoje na conferência ambiental do Fórum Humanitário Mundial uma "mensagem forte e clara" sobre a necessidade de reverter as alterações climáticas, "a maior preocupação ambiental e humana" dos tempos actuais.

Annan, que preside ao Fórum Humanitário Mundial, disse querer apelar à responsabilidade dos líderes mundiais que se vão reunir em Copenhaga em Dezembro deste ano para negociar um acordo pós-Quioto, assinado em 1997 e que expira em 2012.

"Como demonstram numerosos relatórios recentes, as alterações climáticas afectam todos os continentes e estão a acelerar-se a um ritmo mais rápido do que se pensava", disse Annan.

Um desses relatórios, divulgado pelo próprio Fórum Humanitário em finais de Maio, concluía que 300.000 pessoas morrem anualmente em consequência das alterações climáticas e que 300 milhões de pessoas estão expostas a essas consequências.

Kofi Annan sublinhou na sua intervenção "a injustiça" de os países e as populações mais pobres serem os que mais sofrem as consequências das alterações climáticas quando são "precisamente os que menos fizeram para as causar".

Segundo o relatório do Fórum, os 50 países menos desenvolvidos do mundo emitem menos de um por cento de todos os gases com efeito de estufa.

"Mas são esses países que sofrem a maior parte da destruição que as alterações climáticas já provocaram e vão continuar a provocar", disse.

Por isso, defendeu, "as economias desenvolvidas, que são as principais responsáveis pelas emissões passadas e presentes, devem tomar a dianteira" na luta contra esta ameaça.

"O princípio de 'quem contamina paga' deve ser posto em prática aos níveis local, nacional e internacional para ajudar a financiar as medidas de atenuação e adaptação", disse.

A conferência a decorrer em Genebra é a segunda edição do Fórum Humanitário Mundial e reúne cerca de 400 especialistas.

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