Degelo no Árctico foi mais rápido do que o previsto

Apesar da velocidade a que o gelo flutuante derreteu, níveis mínimos atingidos ficaram aquém dos registados no Verão de 2007. Mas foi o terceiro mais grave desde 1979

O gelo flutuante no oceano Árctico derreteu este ano de forma excepcionalmente rápida, frisam, num estudo preliminar, um grupo de cientistas norte-americanos. Não obstante, a superfície mínima de gelo não atingiu o recorde registado em 2007, tendo agora entrado na fase de crescimento de Inverno.

Desde 1972, altura em que começaram as medições da superfície gelada do oceano Árctico através de satélite, este foi o terceiro menor nível registado, apenas superado pelos anos de 2007 e 2008. Segundo os resultados analisados pelos investigadores norte-americanos, no pico do degelo, atingido a 10 deste mês, o gelo que restava no oceano Árctico ocupava uma extensão de 4,76 milhões de quilómetros quadrados, o equivalente a cerca de 53,8 vezes o território de Portugal continental.

Segundo Walt Meier, investigador do National Snow e Ice Data Center (NSIDC), em Boulder, Colorado (EUA), "foi uma temporada curta de degelo, pois o período de tempo compreendido entre o limite máximo e o mínimo foi menor que o usual". Meier diz ainda que "o gelo era tão fino que derreteu rapidamente".

Ideia subscrita pelo cientista Lars Kaleschke, do Instituto Alfred Wegener de Investigação Polar e Marinha, que se mostrou preocupado com a aceleração do degelo nesta região do globo. "O gelo é muito quebradiço. Existem muitas áreas abertas de água e só na costa norte da Gronelândia é que se pode encontrar áreas de gelo compactas", explica Kaleschke.

Uma das razões que ajudam a explicar tal facto estará relacionada com o anúncio de que os últimos 12 meses, a nível mundial, foram excepcionalmente quentes (ver caixa). Depois, asseguram os cientistas, os níveis mínimos também dependem muito de ventos e correntes locais, o que significa que o gelo pode estar concentrado numa região do Ártico num ano e, no ano seguinte, noutra região.

Este ano, a relativa ausência de gelo na zona do Alasca obrigou milhares de morsas a descansar em praias do noroeste desta região norte-americana, quando o usual é que o façam em grandes blocos de gelo. Anthony Fischbach, biólogo do governo norte-americano, estima que as morsas se espalhem por cerca de quilómetro e meio quadrado, em colónias sobrelotadas. O que pode colocar em causa a sobrevivência de muitas crias.

Apesar dos alertas para o perigo de um degelo precoce do Ártico, a hipótese de isso suceder em anos mais próximos - 2013 chegou a ser apontado por alguns grupos como uma possibilidade - parece estar afastada. "Era preciso um bom par de anos extremos, como o de 2007, para que tal sucedesse", assegura Walt Meier. Que acredita, contudo, que a hipótese 2040/2050 ainda é viável. "Os dados de que dispomos actualmente ainda não nos permitem refutar essa teoria", afiançou.

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